
A Oi tem uma participação de 27,5% na V.tal, empresa dona da maior rede de fibra ótica do País Foto: Fábio Motta/Estadão – 27/06/2016
O BTG Pactual, por meio de seus veículos de investimentos, apresentou uma proposta para arrematar a fatia de 27,5% detida pela Oi na V.tal, durante o leilão judicial realizado na tarde desta quinta-feira, 5, apurou a Coluna com fontes de mercado. O banco foi o único inscrito a participar do certame.
A proposta ficou abaixo do lance mínimo estipulado no edital, que era de R$ 12,3 bilhões, conforme laudo usado para embasar o plano de recuperação judicial da Oi. Esse é o principal ativo que sobrou na Oi e foi colocado à venda para quitar as dívidas remanescentes da operadora.
Como o valor não atingiu o mínimo previsto, a audiência foi suspensa. O edital determina que os credores deverão se reunir para decidir se aceitam a proposta ou não. Ficará a cargo do administrador judicial do processo notificar os credores em até dois dias úteis. A próxima audiência será no dia 30 de março, às 15 horas.
Credores questionaram prazo do certame
A deliberação será feita unicamente pelos credores da ‘Opção de Reestruturação I’ do plano de recuperação judicial, o que inclui um grupo de credores que havia se manifestado contra os termos deste leilão. Eles alegavam que o prazo para a realização do certame seria curto demais e comprometeria a atração de outros potenciais interessados, ‘achatando’ o valor das ofertas pelo ativo que será usado para quitar as dívidas da companhia.
Neste grupo, está a gestora de recursos Pacific Investment Management Company (Pimco), que defendia a possibilidade de compra da participação da Oi na V.tal por meio do abatimento de dívidas, ao contrário do previsto no edital, que é pagamento em dinheiro, à vista.
Agora, está nas mãos dos credores: é pegar ou largar. A menos que apareça uma novidade no meio do caminho, conforme proposto pelo Ministério Público, que participou da audiência. A Promotoria defendeu que seja dada oportunidade para manifestação de eventuais interessados, abrindo espaço para que “oferta concreta que possa resultar em benefício econômico superiora ao valor proposto”.
Proposta pode ser alterada ou retirada
Em resposta, o representante do BTG Pactual disse que, se houver mudança nas regras do edital ou abertura para novas propostas fora do prazo, se reserva o “direito de alterar ou retirar a proposta apresentada”.
Enquanto isso, a juíza responsável pela recuperação judicial da Oi, Simone Chevrand, impôs sigilo ao leilão. Assim, a proposta dos fundos do BTG Pactual não ficará pública. O sigilo foi contestado pelo UMB Bank, que atua como um administrador (trustee) dos valores a serem recebidos pelos credores. O trustee disse que o sigilo atrapalha credores a avaliarem a proposta e fazerem eventuais questionamentos, mas o argumento não foi acolhido pela magistrada.
O que está em jogo
A V.tal é uma das maiores empresas de telecomunicações do País, formada justamente a partir da venda de ativos da Oi ao longo dos últimos anos. O grupo detém a maior rede de fibra ótica do País, com mais de 400 mil quilômetros de extensão. Hoje, também atua com banda larga (por meio da Nio, antiga Oi Fibra) e data centers (Tecto). Em 2025, faturou R$ 7,7 bilhões.
Os fundos geridos pelo BTG Pactual são os controladores da V.tal. Por trás desses veículos estão o próprio banco, o fundo de pensão canadense CPPIB, o fundo soberano de Cingapura GIC e clientes do segmento de grandes fortunas, entre outros cotistas. Se assumirem a participação da Oi, passarão a deter a V.tal integralmente.
Já a Oi vive uma situação extremamente delicado. No ano passado, chegou a ter a sua falência decretada, mas o juízo voltou atrás a pedido dos credores, que defenderam a continuidade da recuperação judicial como forma de liquidação dos ativos de forma organizada para abatimento das dívidas restantes.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 05/03/2026, às 18:17
A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.
Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







