Opep+ reage à guerra no Irã com um aumento na produção maior do que o esperado

Opep+ eleva produção de petróleo em 206 mil barris/dia em abril para tentar conter alta de preços e acalmar o mercado global. Crédito: Crédito: AFP

Todos os dias, cerca de 80 navios petroleiros e gaseiros normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, a estreita via navegável na costa sul do Irã que transporta um quinto do petróleo mundial e uma quantidade significativa de gás natural.

Na segunda-feira, 2, apenas dois petroleiros e gaseiros parecem ter cruzado o estreito, de acordo com uma análise do New York Times sobre dados da Kpler, empresa que monitora a atividade marítima. Desde então, só um petroleiro passou pelo local.

“É um fechamento de fato”, disse Dan Pickering, diretor de investimentos da empresa de serviços financeiros Pickering Energy Partners, de Houston. “Há um número significativo de navios em ambos os lados do estreito, mas ninguém está disposto a atravessá-lo.”

Os petroleiros têm se mantido longe de Ormuz desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que começaram no sábado, 28. Um conflito prolongado pode causar um efeito cascata na economia global, ameaçando o abastecimento de energia de países do outro lado do mundo e alimentando a inflação.

Os preços internacionais do petróleo subiram 12% desde o início dos combates, sendo negociados nesta quarta-feira, 4, a cerca de US$ 81 o barril, e os preços do gás natural dispararam na Europa e na Ásia.

Um alto oficial militar iraniano ameaçou na segunda-feira “incendiar” qualquer navio que atravessasse o Estreito de Ormuz. Navios na região já foram atacados. Várias instalações de petróleo e gás também foram atingidas ou afetadas por bombardeios nas proximidades, embora os danos inicialmente não parecessem ser catastróficos.

Um incêndio começou na terça-feira em um importante centro de energia em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, causado pela queda de destroços de um drone abatido, disseram as autoridades. Na segunda-feira, o Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito, o combustível que foi resfriado para poder ser transportado em navios, após ataques às suas instalações.

A forte redução no tráfego de petroleiros está diminuindo o fornecimento de petróleo e gás aos mercados mundiais, elevando os preços de ambas as commodities. E quanto mais tempo os navios ficarem longe do Estreito de Ormuz, menos petróleo e gás chegarão ao mundo, o que poderia elevar ainda mais os preços.

As empresas de navegação suspenderam seus navios-tanque para proteger suas tripulações e cargas, e também porque as seguradoras estão cobrando significativamente mais para cobrir embarcações na área de conflito.

Na terça-feira, o presidente Donald Trump disse que, “se necessário”, a Marinha americana começaria a escoltar navios-tanque pelo estreito. Ele também disse que uma agência do governo dos EUA começaria a oferecer “seguro contra riscos políticos” às companhias de navegação na área.

Além dos petroleiros, outros grandes navios passam regularmente pelo estreito, incluindo navios transportadores de automóveis e navios porta-contêineres. Em condições normais, cerca de 160 fazem a viagem todos os dias.

Alguns navios na região desligam os dispositivos que transmitem suas posições, enquanto outros transmitem localizações falsas — tornando difícil ter uma visão completa do tráfego no estreito.

O Shiva é um pequeno petroleiro que falsificou repetidamente sua localização, de acordo com o site TankerTrackers.com, que rastreia os embarques globais de petróleo. Ele é suspeito de transportar petróleo iraniano que está sob sanção, de acordo com a Kpler. O Shiva foi um dos dois petroleiros que cruzaram o estreito na segunda-feira.

O petróleo e o gás que normalmente passam pelo estreito vêm de grandes países produtores como Arábia Saudita, Iraque, Irã e Emirados Árabes Unidos, e são exportados para todo o mundo.

Em 2024, mais de 80% do petróleo e gás transportados pelo Estreito de Ormuz foram para a Ásia. China, Índia, Japão e Coreia do Sul foram os principais importadores, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA.

Os países têm reservas de energia que podem durar até os próximos meses, mas o fechamento contínuo do estreito pode prejudicar suas economias.

Várias grandes interrupções abalaram as cadeias de abastecimento nos últimos anos, mas a paralisação dos petroleiros no Estreito de Ormuz pode ter um impacto desproporcional.

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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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