PIB já não influencia mais a popularidade: é hora de medir o bem-estar da população

No programa desta semana, o colunista fala de um Projeto de Lei da deputada Tabata Amaral que propõe a apuração sobre a satisfação de vida do brasileiro. Crédito: Isabella Almada/Estadão

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, desacelerando devido aos juros altos, segundo o IBGE. A agropecuária destacou-se com um avanço de 11,7%, enquanto a indústria e serviços cresceram 1,4% e 1,8%, respectivamente. O consumo das famílias e investimentos também subiram. Para 2026, espera-se um crescimento mais moderado de 1,82%, com medidas governamentais para estimular a economia. A Selic deve cair para 12% até o fim do ano, apesar das incertezas globais, como o conflito no Irã.

Afetada pelos juros altos, a economia brasileira desacelerou no ano passado. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 3.

O resultado ficou dentro do esperado pelos analistas consultados pelo Projeções Broadcast. As estimativas variavam de alta de 2,1% a 2,6%.

Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 12,7 trilhões.

No ano passado, o crescimento econômico do Brasil foi o mais baixo desde 2020, quando a economia brasileira recuou 3,3% por causa dos impactos provocados pela pandemia de covid-19. Em 2024, o PIB cresceu 3,4%.

“O desempenho de 2025 foi como se esperava desde o início do ano, com um PIB um pouco mais fraco, depois de uma sequência de vários anos com um PIB crescendo em torno de 3%”, diz Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

“Em 2025, começamos a fazer o ajuste da taxa de juros para conter a inflação, e a economia passou a desacelerar. Apesar de tudo, o País conseguiu um crescimento até razoável”, afirma Vale.

Como em anos passados, o País colheu um primeiro semestre melhor – sobretudo pelo bom desempenho da agropecuária – e desacelerou na metade final do ano, justamente por causa do elevado patamar da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano.

No quarto trimestre, a economia brasileira avançou 0,1% em relação aos três meses anteriores. O IBGE revisou o dado do terceiro trimestre de alta de 0,1% para estabilidade.

“A política monetária está fazendo efeito. Vimos isso pelo canal do crédito, e o último trimestre de 2025 mostra isso”, afirma Silva Matos, pesquisadora da área de economia aplicada do FGV/IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) e coordenadora do Boletim Macro.

No ano passado, na análise pelo lado da oferta, a agropecuária avançou 11,7%, a indústria cresceu 1,4% e o setor de serviços subiu 1,8%.

O bom resultado da agropecuária é explicado pela safra recorde de grãos que o Brasil colheu. O setor de serviços se beneficiou de um mercado de trabalho bastante aquecido no País, enquanto o resultado da indústria foi mais respaldado pelo setor extrativista – a parte de transformação sofreu com os juros elevados.

“Pelo lado da oferta, o agro é o grande destaque”, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. “E, na indústria, o que ajudou foi a parte extrativa, que veio melhor.”

Do lado da demanda, houve crescimento no consumo das famílias (1,3%), na formação bruta de capital fixo – a taxa de investimentos na economia – (2,9%) e no consumo do governo (2,1%).

“Há uma contribuição relevante da importação de plataformas (de petróleo) nos investimentos. E tem toda uma parte de infraestrutura também”, afirma Silvia.

Ainda pelo lado da demanda, mesmo com o tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no comércio global, as exportações cresceram 6,2% e as importações subiram 4,5%.

“Em 2025, o desempenho do agro foi extraordinário, e o impacto do tarifaço foi mais moderado, porque, para alguns mercados, conseguimos redirecionar os produtos”, afirma Alessandra.

No ano passado, a taxa de investimento foi de 16,8% do PIB, um pouco abaixo do apurado em 2024, quando marcou 16,9%. A taxa de poupança alcançou 14,4% do PIB – pouco acima dos 14,1% de2024.

O que esperar de 2026

Em 2026, os economistas esperam um resultado mais moderado para o PIB. No relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas consultados esperam alta de 1,82%.

A avaliação é de que a atividade econômica deve acelerar neste primeiro semestre, por causa dos efeitos da agropecuária, mas perder força na parte final do ano.

“Temos uma média de crescimento no primeiro e no segundo trimestres de 0,5%”, diz Alessandra. “E, no segundo semestre, essa média de crescimento é de 0,2%. Começa o ano mais forte e, depois esfria.”

Em ano de eleição presidencial, o desempenho econômico seria ainda mais fraco se o governo federal não tivesse lançado mão de várias medidas que devem ajudar a estimular a economia, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a ampliação do Minha Casa Minha Vida, entre outras.

Na conta da consultoria Tendências, todas essas medidas devem garantir um aumento do crescimento do PIB deste ano entre 0,3 pontos porcentual e 0,4 ponto porcentual.

Nos últimos dias, o cenário econômico ficou mais incerto por causa do conflito no Irã e os possíveis impactos para o crescimento, inflação e taxa de juros.

Por ora, os economistas esperam algum alívio na condução da política monetária pelo Banco Central. A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a reduzir a Selic na reunião deste mês de março. Ao final do ano, os analistas esperam que a Selic esteja em 12%, de acordo com o relatório Focus.

“Nós continuamos com juros reais elevados. É uma economia que tende a desacelerar e crescer menos neste ano do que no ano passado. E por que não desacelera tanto? Não desacelera mais porque o governo tem feito um conjunto enorme de esforços para tentar manter o crescimento ainda forte em 2026”, afirma Vale.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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