BRB cortará 60% do orçamento para patrocínios e estuda criar empresa à parte com o Flamengo

Diretoria revisou contratos após rombo relacionado a negócios com o Banco Master e estuda lançar uma empresa à parte com o time carioca.

BRASÍLIA – O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, disse que o banco estuda a venda da Financeira BRB por R$ 1,2 bilhão como uma alternativa para turbinar a sua liquidez. A afirmação foi feita durante uma reunião a portas fechadas com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), segundo participantes.

O governo distrital corre contra o tempo para aprovar o texto e viabilizar um aporte de recursos no banco. Como revelou o Estadão, o Banco Central pode aplicar medidas prudenciais preventivas no BRB caso essa capitalização não seja concretizada até o dia 31 de março, a data-limite para a publicação do balanço da instituição.

Como mostrou a reportagem, pessoas próximas avaliam que o problema patrimonial do BRB não se resolve com a venda de ativos próprios e dependerá de aportes feitos pelo controlador.

Nesta segunda-feira, Souza descreveu o BC como “colaborativo” no processo de encontrar uma solução para o banco. O executivo relatou, ainda, que há diversos interessados na possibilidade de uma operação de crédito com o governo distrital, sem dar nomes. O projeto autoriza um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com instituições financeiras ou com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Como mostrou o Estadão mais cedo, o presidente do BRB afirmou à Câmara Legislativa que, se não houver um socorro por parte do governo do Distrito Federal na instituição, o banco vai parar de funcionar.

A Terracap, empresa pública do DF, enviou aos deputados distritais uma estimativa de que os imóveis que podem ser alienados pelo governo distrital para levantar os recursos para a capitalização o BRB valem em torno de R$ 6,4 bilhões. Segundo um participante, Souza disse que a intenção é aprovar o projeto para incluir o valor dos imóveis como ativo no balanço do banco, mesmo que esses valores não representem liquidez.

O aporte do governo distrital no BRB é necessário por causa das perdas esperadas em decorrência das compras de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Banco Master pela instituição. O BRB conseguiu trocar esses créditos por outros ativos do banco de Daniel Vorcaro, mas, por causa da qualidade duvidosa dos papéis, ainda deve ter perdas de pelo menos R$ 5 bilhões, podendo chegar a R$ 9 bilhões.

Como o banco tem patrimônio líquido de referência de pouco mais de R$ 4 bilhões, uma provisão de R$ 5 bilhões já o deixaria, na prática, com as contas negativas. A cifra de R$ 5 bilhões foi mencionada pelo diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, como o valor que o BRB deveria ter de provisionar por causa do Master, durante um depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro.

Segundo um dos participantes do encontro, o presidente do BRB não mencionou em nenhum momento a possibilidade de o banco ser federalizado, ou de o governo distrital ter de recorrer ao Tesouro Nacional para tentar uma garantia da União em uma eventual operação de crédito. Em entrevista ao Estadão no mês passado, Souza descartou a federalização do banco em sua gestão.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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