Este é o discurso que gostaria que fosse pronunciado pelo presidente a ser escolhido em outubro, ao tomar posse:

Espero, nos próximos quatro anos, preparar o Brasil para o mundo que se avizinha. E não há como fazer isso sem enfrentar os dois problemas que têm sido o denominador comum dos últimos 40 anos: o déficit público e a estagnação de nossa produtividade. Não pode haver progresso sem contas públicas ordenadas e sem que haja avanços da produtividade — e, nesse quesito, todos os governos têm ficado devendo.

Em termos fiscais, o déficit nominal nos últimos dez anos foi, em média, de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), algo inaceitável para um país que pretende ter o destaque que o Brasil merece — e sem cuja redução será impossível termos juros baixos de forma duradoura.

Quanto à produtividade, o indicador dessa variável por homem ocupado cresceu 4,2% ao ano entre 1950 e 1980, para aumentar apenas 0,2% ao ano entre 1980 e 2025. Entre 2010 e 2025, o crescimento foi menor ainda: 0,1% ao ano. Nos últimos cinco anos, o crescimento foi negativo: a produtividade por empregado diminuiu.

Em 2026, o Brasil tem 147,5 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos. Esse universo, informa o IBGE, continuará a aumentar lentamente, até passar a cair depois.

No ano de 2041, esse contingente será de 147,4 milhões de pessoas. Isso significa que, no período dos próximos 15 anos, a totalidade do crescimento do PIB terá de vir do aumento da produtividade por pessoa ocupada.

Se continuarmos a exibir o desempenho que tivemos nesse item nas últimas quatro décadas, podemos antecipar que nosso futuro será sombrio. Melhorar a quantidade de bens e serviços produzidos por cada trabalhador deve então se tornar uma obsessão para o País.

Isso vale para todos: no setor privado, desde o pequeno supermercado de bairro que opera com ineficiência até as grandes empresas que devem se preparar para uma concorrência acirrada nos mercados internacionais; e, obviamente, no setor público, que precisa entregar mais e melhores serviços sem ter para isso que empregar mais gente que a que já emprega.

Fica por último a mensagem mais importante de todas: a eleição passou. Prometo ser o presidente de todos os brasileiros e é nessa qualidade que gostaria de ser lembrado, como alguém que colocou um ponto final numa polarização doentia que tanto mal tem causado ao nosso país, dividindo lares e separando amizades. Espero não decepcioná-los para que possamos viver num Brasil melhor.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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