Redes neutras foram vistas como o futuro das telecomunicações no Brasil, prometendo infraestrutura compartilhada de fibra ótica. Mas o modelo não vingou e agora as grandes operadoras estão desistindo.

A TIM anunciou a recompra da I-Systems, sua ex-subsidiária de redes neutras. A Vivo já havia feito o mesmo com a Fibrasil. O que prometia revolucionar o setor virou prejuízo bilionário.

Restam apenas duas empresas no ramo: V.tal e American Tower. Elas diversificaram para sobreviver, mas o sonho das redes puramente neutras acabou, conforme divulgado pelo Estadão.

Promessa Não Cumprida das Redes Neutras

Em 2021, surgiram as redes neutras para construir e alugar fibras óticas às operadoras. A ideia era cortar custos e evitar sobreposições de cabos. Operadoras como TIM e Vivo criaram subsidiárias para isso.

Hoje, só duas das quatro pioneiras sobrevivem. V.tal veio da Oi e expandiu para internet fixa e data centers. American Tower foca em torres, com redes neutras como parte menor do negócio.

Por Que o Modelo Fracassou?

Operadoras acharam o aluguel caro e hesitaram em depender de terceiros para algo vital. Poucos clientes além das donas originais aderiram. “As redes neutras tiveram problemas em conquistar usuários além das grandes operadoras”, disse Renato Paschoarelli, da Alvarez & Marsal.

O mercado é fragmentado, com mais de 22 mil operadores preferindo redes próprias por medo de concorrentes.

TIM Retoma Controle Total da I-Systems

A TIM pagou R$ 950 milhões por 51% da I-Systems, somando 100% de controle. Em 2021, vendeu essa fatia à IHS por R$ 1,1 bilhão. Mas veio prejuízos: R$ 167 milhões em 2024 e R$ 184 milhões em 2023.

“O modelo neutro que queríamos implementar teve vários desafios”, admitiu Alberto Griselli, presidente da TIM. Agora, busca sinergias e novas chances com controle total.

Vivo Segue Mesmo Caminho com Fibrasil

A Telefônica Brasil gastou R$ 858 milhões por 50% da Fibrasil, do fundo CPDQ, chegando a 75,01%. A Vivo era a única cliente relevante. “A abertura para outros clientes não aconteceu”, disse Christian Gebara, presidente.

Após quatro anos, dependência total da Vivo inviabilizou o neutro puro.

Esta matéria é baseada na fonte original do Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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