O agronegócio brasileiro enfrenta uma nova ameaça climática que pode desestabilizar as finanças dos produtores. O fenômeno El Niño promete retornar com força total, trazendo incertezas para a próxima safra.
Especialistas alertam que a intensidade do evento climático deve impactar diretamente a capacidade de pagamento das dívidas rurais. Isso ocorre em um momento de juros elevados e margens apertadas no campo.
A situação coloca bancos e investidores em alerta máximo, especialmente as instituições com grande exposição ao setor, conforme divulgado pelo Estadão.
Como o Super El Niño impacta o crédito rural e o sistema financeiro
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos confirmou a chegada do fenômeno e projeta 63% de chance de um Super El Niño. Essa versão severa pode causar chuvas excessivas no Sul e secas no Norte.
Esse cenário agrava a crise do crédito rural, que já lida com inadimplência alta. Em abril de 2026, os atrasos nos pagamentos saltaram para 7,4%, refletindo o peso dos juros e dos custos de produção atuais.
O impacto direto no Banco do Brasil e nas principais culturas
O Banco do Brasil, maior financiador do setor, é o mais vulnerável a essa mudança climática. Sua carteira rural de R$ 418 milhões já sente os efeitos, com inadimplência subindo para 6,22% recentemente.
Culturas essenciais como milho e soja devem ser as mais atingidas, segundo o analista Nícolas Merola. O banco pode ser forçado a revisar suas projeções de lucro e reforçar as provisões contra perdas futuras no campo.
A tempestade perfeita entre clima, juros e geopolítica
Além do clima, a economia global traz desafios extras, como a guerra no Irã. O conflito gera volatilidade nos preços das commodities, dificultando a queda da taxa Selic, atualmente fixada em 14,25% ao ano.
Henrique Sznirer, da S&P Global Ratings, afirma que, “em um ano que já é de incertezas, o El Niño entra no jogo adicionando uma camada extra de dificuldades”, complicando a retomada do crescimento sustentável.
Estratégias dos bancos para enfrentar a crise no campo
Para se proteger, as instituições financeiras estão intensificando renegociações e exigindo garantias mais robustas. O uso da alienação fiduciária tem sido uma saída comum para assegurar o retorno do capital investido.
Flávia Bedran, também diretora na S&P, explica que o risco surge quando o produtor endividado não gera caixa suficiente. Sem a produção esperada, o pagamento do crédito rural torna-se um desafio quase impossível.
A fonte original é o Estadão e pode ser conferida no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







