O fim do ciclo de ouro do saneamento e o impacto no mercado

O setor de saneamento básico, que antes era o grande alvo dos investidores no Brasil, está enfrentando um momento de cautela e transformações profundas em 2026.

A baixa concorrência em leilões recentes e o adiamento de aberturas de capital de gigantes do setor acenderam um alerta sobre a viabilidade dos novos projetos de infraestrutura no país.

Esse cenário reflete uma mistura de juros altos com a maior complexidade dos ativos que restaram para licitação, conforme divulgado pelo Estadão.

O que aconteceu com as grandes ofertas de ações?

O mercado estimava que o setor poderia levantar cerca de R$ 24 bilhões ao longo do ano por meio de três ofertas de ações, envolvendo a Copasa, Aegea e BRK. Na prática, o resultado foi abaixo do esperado.

Apenas a privatização da Copasa saiu do papel, movimentando R$ 8,4 bilhões, valor inferior aos R$ 10 bilhões previstos. Já as outras duas empresas adiaram seus planos para 2027, devido ao cenário de juros elevados.

Leilões desertos e a baixa disputa por ativos

A falta de interessados também atingiu os leilões de parcerias público-privadas. No Ceará, quatro de cinco blocos de esgotamento não receberam propostas, evidenciando uma postura bem mais seletiva dos investidores atuais.

Na Paraíba, a espanhola Acciona venceu sem concorrentes, enquanto em Goiás, o leilão da Saneago foi cancelado porque não houve interessados ou os proponentes foram desclassificados pelo rigor das regras.

Para Luis Felipe Valerim, professor da FGV Direito SP, a distribuição de riscos entre o poder público e a iniciativa privada não tem sido equilibrada, o que pode comprometer o processo de universalização dos serviços.

O desafio da complexidade operacional

Especialistas avaliam que os projetos mais atrativos já foram licitados após o novo marco legal do saneamento. Agora, os ativos que restam exigem investimentos muito mais elevados e possuem maior dificuldade técnica.

O advogado Thiago Araújo destaca que os ativos remanescentes demandam modelagens mais sofisticadas. “Agora, os projetos exigem investimentos elevados e apresentam maior complexidade operacional”, afirma o especialista sobre o momento atual.

Rondônia será o próximo grande teste para o setor

O próximo grande evento do mercado será o leilão de concessão em Rondônia, marcado para setembro na B3. O projeto prevê investimentos de R$ 8,4 bilhões e servirá como um termômetro para o interesse estrangeiro.

Apesar dos desafios, o saneamento ainda lidera a carteira de projetos próximos de sair do papel no Brasil. Cerca de 50 iniciativas de água, esgoto e resíduos sólidos estão prontas para serem licitadas em breve.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original acessando o link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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