A implementação da reforma tributária no Brasil está gerando um sinal de alerta máximo para o setor produtivo. Muitas companhias ainda não iniciaram as mudanças necessárias nos seus sistemas internos.
O grande temor dos especialistas é que a falta de adaptação resulte na recusa automática de notas fiscais pela Receita Federal, o que pode simplesmente travar as vendas e o faturamento de diversos negócios.
Entre incertezas políticas e prazos apertados, o cenário exige atenção imediata para evitar prejuízos operacionais graves em um futuro próximo, conforme divulgado pelo Estadão.
Os riscos da reforma tributária para o futuro das empresas no Brasil
Empresas que não estiverem adaptadas aos novos impostos da reforma tributária poderão enfrentar um verdadeiro caos operacional. A expectativa é que, a partir de 2027, notas fiscais com erros sejam recusadas.
Na prática, isso significa uma interrupção momentânea, mas fatal, dos negócios. É como se a companhia fosse jogada para fora do ambiente financeiro, perdendo totalmente a sua capacidade de faturar e operar no mercado.
“Não vai vender um palito. A empresa para de vender, para de faturar. Simplesmente para o negócio”, resume Helio Netto, sócio da MGW Consultoria, ao analisar o impacto de ter os documentos fiscais rejeitados.
O impacto das eleições e a insegurança jurídica na reforma
Parte das empresas está paralisada devido à insegurança jurídica e ao cenário eleitoral. Existe uma “esperança” de que novos governantes possam adiar ou alterar pontos centrais da reforma tributária nacional.
Entretanto, especialistas alertam que mudanças estruturais exigiriam novas emendas constitucionais, o que é improvável no curto prazo. A legislação atual já prevê o início da cobrança da CBS para o ano de 2027.
A demora em definir as alíquotas oficiais, que devem ser divulgadas apenas após o segundo turno das eleições, aumenta a paralisia. Isso impede que gestores planejem custos e renegociem contratos com fornecedores.
Adaptação técnica e os altos custos de implementação
Para evitar o bloqueio das vendas, é preciso atualizar os sistemas de gestão empresarial, os chamados ERP. Esses programas precisam comportar os novos campos dos tributos IBS e CBS de forma correta.
O processo de atualização é complexo e demora, no mínimo, três meses. Como o ano está acabando, quem começar agora já está em atraso. O custo mínimo estimado para essa transição tecnológica gira em torno de R$ 100 mil.
Segundo Lucas Andrade, da Ninecon, o maior risco é a continuidade do negócio. “Toda vez que tentarem emitir uma nota fiscal sem as informações de IBS e CBS, a Secretaria da Fazenda vai rejeitar essa nota”, afirma.
Pequenas empresas e o efeito cascata na economia
As pequenas empresas, especialmente as do Simples Nacional, são as que mais correm perigo. Muitas ainda estão perdidas sobre como migrar para o novo regime e não possuem recursos para grandes consultorias técnicas.
Essa fragilidade pode gerar um efeito cascata em toda a economia brasileira. Se um pequeno fornecedor não consegue emitir nota, ele interrompe a cadeia de suprimentos de grandes multinacionais, travando a produção geral.
Maria Isabel Ferreira, da KPMG, recomenda que as empresas foquem agora em ajustes básicos de sobrevivência, como os processos de compras e vendas, para garantir que consigam operar minimamente em janeiro de 2027.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






