Entenda o cenário da recuperação extrajudicial da Raízen

A Raízen atingiu um marco decisivo em sua tentativa de reequilíbrio financeiro ao conquistar o apoio de 70% dos seus credores. Com esse respaldo, a companhia se prepara para formalizar o pedido de recuperação extrajudicial na Justiça brasileira entre esta sexta-feira e a próxima segunda-feira.

As negociações intensas focaram, sobretudo, em mudanças na governança corporativa da empresa. Conforme apurado pelo Estadão, os credores exigiram uma participação expressiva no conselho, incluindo a indicação da cadeira principal de chairman, garantindo mais controle sobre o futuro da operação.

O avanço das tratativas ocorreu paralelamente à venda das operações de refino da empresa na Argentina, concretizada por US$ 1,42 bilhão. Este movimento foi considerado fundamental para destravar a aprovação final do plano de recuperação extrajudicial, conforme divulgado pelo Estadão.

Governança e novas diretrizes do conselho

O plano prevê a formação de um Conselho de Administração com sete membros. Deste total, quatro serão indicados pelos credores, incluindo o presidente, enquanto três serão nomeados pelo acionista contribuinte. A Shell, que mantém a marca, terá assento garantido enquanto o contrato de licença estiver em vigor.

A gigante do setor de energia se comprometeu com um aporte de R$ 3,5 bilhões, montante que não será acompanhado pela Cosan. Com isso, a participação da Cosan na empresa sofrerá uma diluição significativa como parte do processo de reestruturação para garantir a sustentabilidade do negócio.

O tamanho do desafio financeiro

A Raízen enfrenta o desafio de reorganizar uma dívida total de R$ 65 bilhões. O passivo está distribuído entre bancos (40%), detentores de títulos de dívida no exterior (40%) e investidores locais (20%). A proposta atual envolve a conversão de parte do débito.

A estratégia estabelece que 45% da dívida será convertida em ações da companhia. Os 55% restantes serão transformados em novos títulos de crédito, que serão alocados entre a Raízen Energia e a Raízen Combustíveis, buscando equacionar o fluxo de caixa para os próximos anos.

Posicionamento dos acionistas e futuro

Em comunicado oficial, a Shell manifestou total apoio à decisão da liderança da Raízen. A multinacional destacou que a busca por uma solução negociada é a melhor alternativa para assegurar o funcionamento e a viabilidade de longo prazo de toda a operação.

A empresa enfatizou que seguirá colaborando com a equipe de gestão e com os credores durante este período de transição. Até o momento, a Cosan e a própria Raízen não realizaram comentários adicionais sobre os desdobramentos específicos das negociações.

A fonte original da notícia é o Estadão. Você pode conferir a matéria completa acessando: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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