O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou um extenso documento de programa que será votado no 8.º Congresso neste fim de semana. Entre os pontos mais controversos, está a exigência de que o Banco Central (BC) opere em harmonia com o governo federal, alinhando a política de juros às diretrizes presidenciais.

A proposta também inclui a defesa de juros abaixo de 10% ao ano e a revisão da meta de inflação de 3% em doze meses, argumentos que geram debates sobre a perda de autonomia do BC e os riscos para a responsabilidade fiscal. Conforme divulgado pelo Estadão, o texto ainda critica o neoliberalismo globalizado e aponta novas formas de exploração do trabalhador.

Confira abaixo os principais aspectos do documento e as possíveis implicações para a economia brasileira.

Proposta de alinhamento do Banco Central com o governo

Coordenação da política de juros

O PT sugere que o mandato da direção do BC deve se harmonizar com o presidente da República para garantir a coordenação da política de juros. A medida, segundo o texto, visa melhorar a eficácia das decisões econômicas, mas críticos alertam que pode reduzir a independência da instituição e favorecer interesses de governos de direita.

Juros abaixo de 10%

Outra demanda é a adoção de juros menores que 10% ao ano. O documento não detalha os mecanismos para alcançar esse patamar, mas ignora o histórico de limites constitucionais de 12% e episódios como a política de juros adotada durante o governo Dilma, que gerou pressões sobre o então presidente do BC, Alexandre Tombini.

Revisão da meta de inflação

O programa do PT considera que a meta atual de 3% ao ano em doze meses seria baixa demais, exigindo juros elevados para mantê‑la. Por isso, a proposta é revisar essa meta, embora não indique novos parâmetros. A mudança poderia impactar a política monetária e a estabilidade de preços.

Crítica ao neoliberalismo e à exploração do trabalhador

Além das questões macroeconômicas, o documento faz forte crítica ao neoliberalismo globalizado, apontando mecanismos de controle como o endividamento excessivo e a “uberização” do trabalho, que dificultam a sindicalização. O PT propõe o “socialismo internacionalista” como resposta, sem aprofundar o conceito.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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