A situação financeira do Banco Regional de Brasília (BRB) despertou um alerta crítico de Sergio Lazzarini, vice-presidente do Insper. O especialista defende que a instituição perdeu o foco de sua missão.
Lazzarini argumenta que o rombo acumulado e as sucessivas intervenções políticas tornam a gestão estatal inviável. Para ele, o banco se afastou do propósito original de fomentar o desenvolvimento regional.
O debate sobre o futuro da instituição ganha força em um momento de incertezas econômicas e pressão sobre o orçamento público, o que exige medidas urgentes do governo, conforme divulgado pelo Estadão.
A privatização do BRB como solução técnica e econômica
Para o especialista, a privatização do BRB não é uma escolha ideológica, mas uma necessidade técnica. Ele ressalta que é preciso entender a função de política pública do banco e o custo para atingir essas metas.
Lazzarini afirma que, quando o órgão não cumpre seu papel de forma eficiente, a manutenção estatal torna-se difícil de justificar. No caso do banco brasiliense, o desvio de foco gerou um rombo que agora precisa de cobertura.
“Se esse órgão está fazendo o que foi proposto bem, a um custo razoável e atende os objetivos de política, está tudo certo. Mas não parece ser esse o caso, que é difícil de justificar”, destaca o professor do Insper.
O desvio da missão e o aumento do rombo
O BRB foi criado para ser um banco regional focado no desenvolvimento local. No entanto, a gestão buscou uma expansão de escala que gerou inconsistências e prejuízos, segundo a análise técnica de Sergio Lazzarini.
Ele compara a situação atual ao que ocorre com os Correios, onde o problema se deteriora a cada ciclo. Sem uma ação na raiz do problema, o governo federal acaba sendo acionado para oferecer garantias e aval a empréstimos.
O especialista questiona se apenas o BRB consegue realizar as atividades propostas no estatuto. Ele sugere que convênios com o BNDES ou o uso de bancos maiores, como o Banco do Brasil, seriam alternativas viáveis.
A interferência política e o risco ao contribuinte
A história brasileira nos anos 90 mostrou que bancos estaduais são altamente vulneráveis a interferências de governos locais. Esse histórico de baixa produtividade e uso político motivou uma onda de privatizações na época.
Lazzarini explica que manter uma instituição financeira estatal exige uma governança extremamente sólida para evitar desvios. Sem esse controle, o risco de o contribuinte pagar a conta por gestões ineficientes é altíssimo.
“É preciso ter um banco estadual para fazer crédito habitacional, quando se tem a Caixa? Ou crédito rural, se tem o Banco do Brasil? Ou o BNDES para a infraestrutura? Passa-se a não ter argumentos”, afirma o acadêmico.
O cenário político e o futuro da gestão pública
Apesar da recomendação técnica pela privatização do BRB, o cenário político atual mostra resistência. Tanto o governo federal quanto a governadoria local não demonstram intenção de seguir com a desestatização no curto prazo.
Lazzarini aponta que a fragilização da Lei das Estatais e a falta de monitoramento rigoroso contribuem para a crise. A ausência de limites para indicações políticas em cargos estratégicos agrava a situação de empresas públicas.
“A ponto de eu, que escrevi um livro falando que a privatização pode ser legal, mas com cuidado, tenha de dizer ‘privatiza porque não tem mais jeito’, conclui Lazzarini ao analisar o atual estado da instituição.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa diretamente no site do veículo clicando no link: Estadão.







