Negócios verdes são apontados como a solução para garantir o futuro da floresta amazônica, mas a realidade ainda está longe do ideal. Embora haja muitos eventos, anúncios e programas de fomento, os indicadores apontam para um setor estagnado e vulnerável.

Em 2024, o Brasil importou cacau da Costa do Marfim, dendê da Colômbia e látex da Guatemala, totalizando US$ 539 milhões, enquanto a produção de frutas frescas como maracujá, banana e manga diminuiu na Amazônia, mesmo crescendo em outras regiões do país. O relatório do Amazônia 2030 indica ainda que apenas 12% dos habitantes da Amazônia Legal têm emprego formal no setor privado, e apenas três desses 12% possuem diploma universitário, metade dos índices nacionais.

Esses dados revelam que, apesar das exportações de castanha, café conilon e pimenta do reino, grande parte desses produtos acaba sendo reexportada para países como Bolívia, Peru, Índia e Vietnã, que agregam valor e vendem ao consumidor final, transformando a Amazônia em subfornecedora de nações mais pobres. Fonte: Estadão.

Descompasso entre promessas e resultados

Especialistas apontam que a solução não está em medidas isoladas, mas em pacotes integrados de crédito, regularização fundiária, estradas, assistência técnica, segurança pública, isenções fiscais, garantias de preço e apoio a pequenas e médias empresas. Sem a combinação desses elementos, os investimentos não geram o efeito esperado.

O erro de depender de recursos pontuais

Mesmo que os governos disponibilizem crédito, a falta de assistência técnica e de infraestrutura de transporte impede que agricultores e empreendedores alcancem mercados mais competitivos. A crítica é que, se a região tivesse capacidade de oferecer tudo no tempo certo, já viveríamos em uma “Suíça tropical”.

Casos de sucesso fora da Amazônia

Pesquisas de campo mostram que a Bolívia avançou no mercado internacional de castanhas após a União Europeia endurecer critérios sanitários. Lá, governo e empresas coordenaram esforços, ao contrário do Brasil, onde a falta de alinhamento gerou riscos excessivos e estagnação. O economista Albert Hirschman explica que a principal barreira não são os insumos, mas a “confusão das vontades” que impede a ação coletiva.

Lições de pesquisadores de desenvolvimento

Estudiosos como Judith Tendler, Peter Evans e Alice Amsden demonstraram que analisar projetos reais – como o Polonordeste ou o crescimento da Coreia do Sul – revela fatores de sucesso que vão além de dados e modelos teóricos. Eles enfatizam a importância de entender como e por que alguns casos avançam sob condições concretas.

Investimentos atuais e a necessidade de avaliação rigorosa

Instituições como BNDES, BID e Banco Mundial destinam recursos consideráveis à restauração florestal e às cadeias produtivas amazônicas. Contudo, antes de lançar novos programas, é crucial avaliar quais iniciativas realmente entregam resultados, por que funcionam e como replicar boas práticas em escala.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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