Em um mundo dominado por inteligência artificial e smartphones, surge uma dúvida incômoda: por que o cidadão comum sente que a qualidade de vida está caindo? Essa é a provocação central de um novo debate global.

O livro Abundância, dos jornalistas Ezra Klein e Derek Thompson, mergulha nas raízes dessa insatisfação, apontando que o progresso tecnológico sozinho não garante bem-estar se as instituições estiverem travadas.

A obra sugere que vivemos em um cenário de escassez artificial, criado por regras que dificultam a construção de casas e grandes obras, conforme divulgado pelo Estadão.

O dilema do livro Abundância e a crise da casa própria

O livro Abundância aponta que, nos anos 50, um americano comprava uma casa com pouco mais de dois anos de salário. Hoje, esse tempo saltou para sete anos, gerando um enorme endividamento familiar.

Os autores explicam que o problema não é a falta de dinheiro, mas o excesso de subsídios ao consumo sem o incentivo correspondente à oferta. Isso cria um gargalo que encarece serviços essenciais.

A barreira do zoneamento e a exclusão

Regras de zoneamento restritivas e códigos de construção complexos tornaram-se ferramentas de exclusão. Segundo a obra, a agenda progressista muitas vezes acaba encarecendo projetos habitacionais e de infraestrutura.

Existe também a chamada democracia dos proprietários. Como a maioria dos eleitores já possui imóveis, eles formam coalizões para valorizar seu patrimônio, o que impede o barateamento das casas para os jovens.

O fenômeno do liberalismo anticrescimento

Klein e Thompson batizam esse conjunto de entraves de liberalismo anticrescimento. Trata-se de um ambiente onde o excesso de controle e litígios inibe a produção, mesmo com boas intenções ambientais.

Os autores comparam os Estados Unidos, um Estado de advogados que foca em bloquear, com a China, um Estado de engenheiros que não para de construir. Essa paralisia derrubou a confiança no governo americano.

Ciência travada por pilhas de papéis

Essa paralisia institucional reflete na ciência. Cientistas gastam cerca de 40% do tempo com burocracia, redigindo propostas e relatórios, em vez de focar inteiramente em novas descobertas e inovações.

O trem de alta velocidade da Califórnia é outro exemplo. Aprovado em 2008, o projeto quase não saiu do papel devido à multiplicação de exigências e disputas judiciais, apesar de possuir os recursos necessários.

Lições importantes para a realidade do Brasil

O diagnóstico do livro Abundância pode ser aplicado ao Brasil. O país sofre com alta judicialização e regulação excessiva, especialmente em infraestrutura, o que afasta investimentos e atrasa o desenvolvimento.

A fonte original é o Estadão.

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