O governo federal lançou uma série de medidas pesadas para tentar aquecer a economia brasileira este ano. O plano envolvia desde isenções de impostos até linhas de crédito bilionárias para diversos setores.
No entanto, o otimismo inicial esbarrou na realidade das análises de crédito dos bancos e no alto endividamento da população. O impacto esperado de R$ 200 bilhões acabou sendo muito menor do que o projetado.
Analistas apontam que a queda de braço com os juros altos dificultou a vida do consumidor que já está no limite financeiro, conforme divulgado pelo Estadão.
Como o cenário econômico atual barrou o crescimento esperado
A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estimular a economia foi frustrada, em grande parte, pelas mesas de análise de crédito. Os bancos mostraram cautela diante da ressaca de consumidores endividados.
Estimativas de economistas consultados mostram que o impacto efetivo na atividade ficou entre R$ 90 bilhões e R$ 130 bilhões. O valor é bem distante dos R$ 200 bilhões prometidos, o que representa cerca de 1,5% do PIB.
O pacote ajudou a sustentar a atividade e evitou uma desaceleração brusca, mas não teve força para promover uma arrancada. O governo tentou manter o consumo aquecido com novas linhas de crédito e o programa Desenrola.
A disputa entre a política do Governo e o Banco Central
O Banco Central parece estar ganhando a queda de braço com a política fiscal expansionista. O consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre, sinalizando que os juros altos estão cumprindo o papel de frear a demanda.
“O governo tentou, como pôde, estimular os gastos desde o ano passado, especialmente com medidas microeconômicas. Mas estamos com as taxas reais de juros mais altas em 20 anos, não tinha como ser diferente”, afirma Sergio Vale.
Segundo o especialista, a conta dessa resistência pode ser uma desaceleração ainda mais forte no próximo ano. Uma parte relevante dos estímulos foi usada para pagar dívidas e não se converteu em consumo real nas lojas.
Crédito para motoristas de aplicativo não decola
Um exemplo claro dessa trava é a linha de crédito para taxistas e motoristas de aplicativo. Apenas 13% dos R$ 30 bilhões disponíveis foram convertidos em vendas reais de veículos, frustrando as expectativas da indústria.
As instituições financeiras evitaram assumir o risco de emprestar para quem tem renda variável. Nem mesmo a garantia de 80% oferecida pelo governo foi suficiente para convencer os bancos a liberarem o dinheiro com facilidade.
“Essa avaliação representa uma etapa essencial para assegurar uma concessão sustentável e compatível com a realidade financeira do tomador”, explicou a Febraban sobre o rigor das políticas de aprovação de crédito.
Minha Casa, Minha Vida é o ponto fora da curva
Apesar dos desafios em outras áreas, o setor imobiliário apresentou resultados positivos. O programa Minha Casa, Minha Vida já registrou cerca de 290 mil contratações, somando mais de R$ 55 bilhões em financiamentos.
A Caixa Econômica Federal informou que o crescimento da carteira está alinhado com a estratégia de riscos. O governo também injetou recursos no fundo garantidor para assegurar que as reformas de moradias continuem em ritmo acelerado.
Especialistas alertam que novas linhas de crédito nem sempre significam fôlego extra, pois muitas vezes apenas substituem financiamentos que já aconteceriam. O foco agora se volta para como o mercado reagirá aos próximos passos do PIB.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa no link: ESTADÃO.





