Guerra contra o Irã racha base eleitoral de Trump e arrisca futuro de sua presidência

O presidente americano forneceu justificativas confusas para entrar na guerra e as consequências do conflito podem acabar com sua popularidade. Crédito: TV Estadão

Diretor-executivo da Eurasia Group para as Américas, Christopher Garman mantém a avaliação de que o efeito do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo tende a ser transitório. Ele afirma que o cenário-base aponta para certa normalização dos mercados energéticos ainda em março, mas admite risco significativo de impacto duradouro nos preços da commodity.

Garman diz que o presidente americano, Donald Trump, está disposto a assumir riscos, mas subestimou a reação do regime iraniano, que afetou diversos países ao adotar a estratégia de maximizar o dano à economia global. Segundo ele, o manejo do conflito “ficou mais difícil” do que o imaginado. No curto prazo, a Casa Branca deve dobrar a aposta e correr contra o relógio para contornar a crise, pois “quanto maior a duração, maior o preço que Trump pagará domesticamente”.

“Nos Estados Unidos, popularidade é preço de gasolina. E, nesta segunda-feira, vimos declarações querendo criar as bases para declarar a vitória. Está batendo medo. Há eleições em novembro”, afirma. “Trump sabe que tem que declarar vitória até o final deste mês”, reforça. Em resposta às declarações de segunda-feira, o preço do petróleo virou para baixo e caía nesta manhã.

Quanto mais tempo demorar a normalização do tráfego de navios no Estreito de Ormuz, maior o risco de redução prolongada da oferta de petróleo. “Ataques pontuais do Irã sem resolução permanente podem elevar o preço da commodity e sustentar um choque inflacionário”, alerta Garman. No cenário alternativo, adverso, com probabilidade de 40%, os efeitos sobre as cotações tendem a ser “mais duradouros”.

Na segunda-feira, Trump ameaçou atacar o Irã com “20 vezes mais força” se o país “fizer algo que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz”. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse que não permitirá “a exportação de nem mesmo um litro de petróleo da região para partes hostis e seus parceiros” enquanto prosseguirem os ataques de Estados Unidos e Israel contra o país.

Para o Brasil, no cenário-base, o efeito imediato deve ser limitado, com repercussão modesta. No alternativo, porém, um choque pressionaria combustíveis e alimentos, gerando desgaste para o governo Lula em ano eleitoral. Se a crise durar de um a três meses, exigirá atenção do Banco Central ao reflexo sobre a inflação no processo de redução da taxa Selic.

“O dano político dos preços mais altos da gasolina é menor que nos Estados Unidos; o que pesa são os preços dos alimentos, ligados ao diesel e a fertilizantes”, compara. Se a guerra “levar mais de quatro a cinco semanas, então poderíamos ter um impacto no Brasil”, pondera Garman. Ele lembra que a crise da Ucrânia gerou efeito modesto e vê o Brasil bem posicionado ante os pares por ser potência energética, agropecuária e mineral em um mundo com conflitos maiores.

O diretor da Eurasia falou a empresários de diversos setores em evento da Esfera na noite desta segunda-feira.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Projeção para safra agrícola deste ano fica mais próxima do recorde alcançado em 2025

Supersafra 2025: Colheita Recorde de Grãos no Brasil Expõe Gargalos Logísticos e Desafios no Agro Nacional

Brasil bate recordes com 350 milhões de toneladas, mas enfrenta problemas de armazenamento e escoamento
Perspectiva de capitalização da Raízen melhora clima com credores

Perspectiva de capitalização da Raízen melhora clima com credores

Na semana passada, os títulos da Raízen no exterior eram negociados a…
Vorcaro citou serviço de ex-esposa de Toffoli a Master e pagamento de R$ 20 milhões a resort

Resorts Tayayá no Paraná: entenda as ligações de Toffoli com Vorcaro, R$ 20 milhões e ex-esposa em meio a relatório da PF no STF

Diálogos do dono do Banco Master revelam menções ao ministro Dias Toffoli e empreendimentos milionários; veja os detalhes
Grupo Pão de Açúcar pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 4,5 bi

Grupo Pão de Açúcar pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 4,5 bi

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou pedido de recuperação extrajudicial para…