Oriente Médio: 5 fatores que explicam por que região é associada a guerras e instabilidade política

Colunista do Estadão detalha questões históricas, sociais e religiosas em mais um episódio do ‘Fronteiras’. Crédito: Rodrigo da Silva/Estadão

Países da Ásia estão implementando medidas para lidar com a crise de energia após ataques dos EUA e de Israel ao Irã terem desencadeado o bloqueio do Estreito de Ormuz, importante rota de escoamento de petróleo de alguns produtores do Oriente Médio, fornecedores importantes para as nações asiáticas.

Em meio ao impacto, o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB, em inglês) lançou nesta terça-feira, 24, um pacote de financiamento de emergência para países fortemente afetados pelas consequências da guerra.

Entre as medidas, a instituição fará o desembolso rápido de apoio orçamentário para ajudar os países em desenvolvimento que enfrentam pressões fiscais acentuadas, principalmente por meio do Mecanismo de Apoio Anticíclico do banco, para auxiliar os governos a estabilizar suas economias e mitigar o impacto de choques sobre a vida e os meios de subsistência daqueles que estão em maior risco.

O ADB ainda acionará o Programa de Financiamento do Comércio e da Cadeia de Abastecimento (TSCFP), que apoia o setor privado para garantir a continuidade do fluxo de importações essenciais, incluindo energia e alimentos. O banco decidiu reativar o apoio às importações de petróleo no âmbito do programa, em caráter excepcional e por um período limitado.

Na Coreia do Sul, o ministro da Energia, Kim Sung Whan, afirmou que Seul reiniciará cinco reatores nucleares em maio, flexibilizará as restrições às usinas de carvão e expandirá as fontes de energia renováveis para reduzir a dependência de longo prazo do gás natural liquefeito, segundo a World Energy News.

O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, iniciou ainda na terça-feira uma campanha nacional de economia de energia. Ele afirmou que as instituições públicas reduziriam o uso de carros particulares. O governo estimulará a adoção de horários de deslocamento escalonados para veículos, bem como medidas para redução de consumo por parte das 50 maiores empresas consumidoras de petróleo.

Segundo parlamentares e o Ministério da Indústria, a Coreia do Sul importa 70% do seu petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz. O país enfrenta uma iminente crise energética, apesar de possuir reservas de petróleo de 190 milhões de barris. Destes, 100 milhões pertencem ao governo e 90 milhões a refinarias privadas, ainda de acordo com a World Energy News.

Filipinas, Tailândia e Vietnã estão recorrendo ao carvão para suprir a escassez de GNL. A Índia está queimando mais carvão para atender à maior demanda de verão. Queimar mais carvão pode agravar a poluição atmosférica nas grandes cidades, retardar a transição para energias renováveis e aumentar as emissões de gases de efeito estufa na região.

Na China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma anunciou que reduzirá um aumento planejado no preço dos produtos petrolíferos refinados domésticos para limitar a pressão sobre os consumidores, segundo o The Wall Street Journal. O país é um importador líquido de petróleo, e cerca de 45% de seus suprimentos transitam pelo Estreito de Ormuz.

O Japão liberará aproximadamente um mês de reservas nacionais de petróleo bruto — equivalente a 53,46 milhões de barris ou 8,5 milhões de litros, avaliados em cerca de 540 bilhões de ienes (US$ 340,31 milhões) — a partir de quinta-feira, de acordo com um comunicado do Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês divulgado nesta terça-feira. A liberação visa garantir que não haja interrupção no fornecimento no mercado interno, acrescentou o ministério.

O governo japonês pretende ainda alocar aproximadamente 800 bilhões de ienes (cerca de US$ 5 bilhões) do fundo de reserva do orçamento deste ano para mitigar o aumento acentuado nos preços da gasolina e outros bens, segundo a NHK.

Enquanto o suprimento mundial de combustível está se tornando mais restrito no Sul da Ásia, o CEO da Shell, Wael Sawan, afirmou que, em breve, o Nordeste da Ásia deve ser afetado. A Europa deve começar a ver escassez em abril, disse o executivo no evento Ceraweek, realizado em Houston, nesta terça-feira.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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