Foto: Felipe Pedro/Estadão/TecMundo

Michelle SchneiderAutora do livro ‘O profissional do Futuro’

O seu emprego vai existir daqui a cinco anos? Essa é a provocação feita por Michelle Schneider, autora do livro O Profissional do Futuro, com passagens por empresas como TikTok, Google e LinkedIn. Para a especialista, que pesquisa o impacto da inteligência artificial no trabalho, a pergunta não é se o emprego vai deixar de existir por causa da IA; e, sim, como vai se transformar.

“Uma coisa é certa: o seu emprego, como você conhece hoje, definitivamente não vai ser o mesmo daqui a cinco anos”, afirma em entrevista ao Estadão. Apesar do efeito no mundo do trabalho, a tecnologia deve influenciar mais as tarefas do que as profissões em si, pondera.

Michelle Schneider reconhece que algumas profissões serão extintas. No entanto, a principal preocupação será em como adaptar a automação nas atividades para o aumento da produtividade.

Em paralelo, o avanço de sistemas e agentes de IA vai fazer com que o trabalho humano migre da execução para o planejamento e o desenho de processos. “O profissional do futuro será alguém capaz de orquestrar ferramentas e agentes de IA”, afirma.

Michelle Schneider estende as discussões sobre o assunto no São Paulo Innovation Week (SPIW), do qual o Estadão é sócio. Ela é a responsável pela curadoria a respeito do futuro do trabalho no evento, que vai contar com três eixos: reprogramando o trabalho, IA e saúde mental.

O festival de inovação, tecnologia e empreendedorismo será realizado de 13 a 15 de maio na Mercado Livre Arena Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Assinantes do jornal podem comprar ingressos com 35% de desconto: clique aqui para adquirir o passaporte para os três dias de evento. Não assinantes podem acessar este link.

Confira trechos da entrevista:

Na sua palestra do TEDx, a sra. aponta que o desafio do mundo do trabalho não é mais o que pensar, mas como pensar. Como define o profissional do futuro?

É interessante porque fiz essa palestra em 2018. Quanta coisa aconteceu de lá para cá! No ano passado lancei um livro com o mesmo tema, O Profissional do Futuro. Basicamente monto quatro pilares como fundamentais para ser um profissional do futuro. O primeiro chamo de mente inovadora, que é a capacidade de não parar de aprender. Quanto mais aprendemos, mais repertório temos e mais criativos nos tornamos. O segundo pilar é o letramento tecnológico, mergulhar de cabeça em inteligência artificial. O terceiro pilar traz um lado mais humano da conversa, que é a inteligência emocional. Tem um dado do Daniel Goleman, uma das maiores referências em inteligência emocional do mundo, inclusive, ele vai estar no São Paulo Innovation Week. Ele diz que apenas 20% do sucesso de uma pessoa vem do QI. Os outros 80% vêm do QE, o quociente emocional. Então falo muito da importância de desenvolver esse lado. Por fim, o quarto pilar é a saúde mental, a importância de se conhecer, de entender os limites do próprio corpo para conseguir navegar em um mundo que vai exigir cada vez mais de nós.

Inclusive, a sra. estima que esse profissional do futuro terá pelo menos cinco carreiras ao longo da vida. Nós estamos preparados enquanto sociedade para essa reinvenção no mercado de trabalho?

Não estamos preparados. Adoraria dizer o contrário. Mas a velocidade da tecnologia é mais rápida do que aquilo que conseguimos acompanhar. Costumo dizer que nós somos seres humanos lineares. Não fomos programados para dobrar a nossa capacidade produtiva, como vem acontecendo, por exemplo, com a IA a cada sete meses. A cada sete meses ela dobra a capacidade produtiva. Então, estamos preparados? Não. Mas, quanto antes pensar na carreira, imaginar-se como um profissional do futuro e entender que a carreira vai ser diferente daquela que fomos ensinados a construir, isso ajuda a gente a se reinventar de uma forma mais ágil. Essa reinvenção é uma das principais características, a meu ver, desse profissional do futuro.

Os seus estudos também reforçam a necessidade de investir em competências socioemocionais. Por que essas habilidades são relevantes, principalmente no boom da inteligência artificial?

Nos últimos anos, estávamos falando da importância das habilidades socioemocionais e das comportamentais. No meu TEDx, lá em 2018, levei dados do Fórum Econômico Mundial sobre as habilidades mais relevantes para o profissional. Na época, 100% delas eram comportamentais. Quando fui buscar os dados atualizados para escrever meu livro, em 2025, entre as dez habilidades do futuro, surgiu uma habilidade técnica, o letramento tecnológico. Na projeção para 2030, 4 das 10 habilidades são técnicas. Então, esse discurso que ouvimos há muitos anos, de que agora temos de focar só em habilidade comportamental, não é mais tão atual. A verdade é que temos de achar um equilíbrio. Temos de desenvolver as habilidades técnicas o tempo todo. Porque o tempo de validade dessas habilidades técnicas encurta cada vez mais. Por outro lado, temos de continuar focando nas habilidades comportamentais, que também vão ser parte da base para ser um profissional do futuro. Imagine que, se 20% do sucesso da nossa vida vem do nosso QI, estamos caminhando para um mundo em que a IA vai ter um QI, inevitavelmente, infinitamente maior do que o nosso. O que o Daniel Goleman fala? Onde estão os outros 80% do sucesso na vida de uma pessoa? Ele diz que é uma composição que vai desde classe social, o quesito sorte no meio, onde a pessoa nasceu e as oportunidades que teve, mas afirma que um dos maiores pesos está no nosso QE, o nosso coeficiente emocional. Como eu lido quando as coisas não saem como planejei? Como eu lido com pessoas que pensam diferente de mim em um mundo que anda tão polarizado? Isso se torna cada vez mais importante. Como eu lido com ego, medo e frustrações? Estamos indo para um mundo em que teremos uma IA com um QI maior do que o nosso, o que nos faz humanos é o nosso QE.

Ainda sobre o impacto da IA na carreira. Alguns estudos apontam que os cargos estratégicos tendem a ganhar mais relevância com a IA. O que esses profissionais precisam desenvolver para conectar competências técnicas e socioemocionais?

Quando olhamos para as pesquisas, há muita confusão. Acabei de dar uma palestra no South by Southwest (SXSW), em Austin, um dos maiores festivais de inovação do mundo. O tema da minha palestra foi: ‘O seu emprego vai existir daqui a cinco anos?’ Na verdade, apesar de ter dado esse título para a palestra, essa não é a pergunta correta. A pergunta correta não é se o meu emprego vai existir ou não, mas como vai ser transformado. Porque uma coisa é certa: o seu emprego, como você conhece hoje, não vai ser o mesmo daqui a cinco anos. Nós vamos ver uma grande transformação nos cargos. Quando olhamos, por exemplo, para uma pesquisa recente lançada pela Anthropic sobre o nível de exposição das tarefas. Isso até contradiz um pouco a nossa intuição, porque hoje as mais expostas à IA são pessoas com cargos mais altos e com maior nível de educação. Mas, quando falamos em ‘exposição’, isso é outra coisa também. Vamos pensar o que é um emprego hoje. Um emprego é composto por uma série de tarefas. No seu trabalho atual, você realiza várias tarefas. Quando olhamos para a exposição à IA, a pergunta é: quais dessas tarefas a IA pode fazer hoje? E quais vai poder fazer no futuro?

São aquelas tarefas mais repetitivas?

Não necessariamente. Por isso que digo que os estudos estão mudando muito rápido. Até pouquíssimos anos atrás, os empregos mais expostos à IA eram esses mais repetitivos. Agora não mais. Com o avanço da inteligência artificial, muitas tarefas cognitivas também estão expostas. Então isso desconstrói o que acreditamos durante muito tempo, que seria o impacto da IA. Agora começamos a perceber que pode ser um pouco diferente. Mas a minha grande provocação é que a exposição não significa que esses empregos vão deixar de existir. Esse estudo da Anthropic mostra, por exemplo, em várias funções, computação, marketing, quantas tarefas já poderiam ser realizadas por uma IA e quantas realmente são executadas pela ferramenta hoje. Vemos um gap gigante entre o que a IA pode entregar e o que usamos no mercado de trabalho. A nossa mente tende a olhar só para a parte da automação. Mas existem três movimentos quando a IA entra no trabalho. O primeiro é de que algumas tarefas realmente serão automatizadas. Isso é fato. Mas existe o segundo movimento: a tecnologia também aumenta nossas capacidades. É como se você ganhasse um superpoder. Mas quem consegue ter esse ganho é quem sabe usar IA. Por isso, dentro dos meus pilares do profissional do futuro, um deles é o letramento tecnológico. Porque quem usa IA vai entregar um trabalho melhor e mais eficiente do que quem não usa. É como se você tivesse alguém trabalhando com você. Agora eu vou dar um passo além. Entramos na era dos agentes autônomos. Falamos disso desde 2024. O ano passado era para ser o ‘ano dos agentes’, mas ainda não vimos grandes avanços. Agora parece que houve um salto. Agora eu posso dizer para um agente: ‘Vai lá e faz isso para mim’. Ele trabalha por horas. Enquanto isso, eu posso fazer outras coisas. E, em vez de um agente, posso ter vários. Um produz o roteiro de um vídeo. Outro cria posts. Outro analisa dados. Isso muda o trabalho. A grande mudança é que vamos deixar de executar tarefas para passar a orquestrar o trabalho.

Seria um foco no pensamento mais estratégico?

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Sem dúvida. Hoje o nosso trabalho é mais ou menos assim: 20% planejamento e 80% execução. Cada vez mais veremos o contrário. Os agentes executam, nós ficamos com o planejamento, o pensamento e o design do trabalho. Vamos desenhar o fluxo de trabalho e decidir quais tarefas cada agente vai realizar.

Então, vamos aumentar o uso da IA na nossa rotina de trabalho. Como esse profissional do futuro vai ter acesso ao letramento tecnológico? Em paralelo, como vai equilibrar o pensamento estratégico pensando na realidade brasileira?

Não existe um dia da minha vida em que não receba uma mensagem perguntando: ‘Quero fazer um curso de IA, qual devo fazer?’ Antigamente até indicava alguns. Acho que ter uma noção teórica mínima é interessante. Mas a melhor forma de aprender é colocando a mão na massa. A melhor dica é usar as ferramentas dando o contexto de quem você é. Comece dizendo quem é você, idade, quantos anos de experiência, o que faz e como quer usar a IA. O Brasil tem uma adoção enorme do uso de IA. O que acontece? A maioria das pessoas usa um percentual mínimo do que a IA pode entregar. A maioria usa como se fosse o Google. Em vez de perguntar para o Google, pergunta para o ChatGPT ou para outras ferramentas e acha que está arrasando. Mas isso ainda é pouco. Não vai te dar um ganho de produtividade transformador. Você começa a ter esse ganho quando começa a criar os seus próprios agentes. Está tudo bem se alguém que está ouvindo pensar: ‘Meu Deus, eu nunca criei um’. O ano passado foi diferente do que está agora. A ideia é que você possa criar um projeto pessoal. Precisamos ter boas ideias. E aí entra a segunda parte da sua pergunta: o pensamento estratégico. Vamos ser cada vez menos executores e cada vez mais designers do trabalho. Isso abre um universo enorme de possibilidades, principalmente para quem tem perfil mais empreendedor. Vamos ver um salto enorme na gig economy, na economia de freelancers. A tendência é de que as empresas tenham times menores e mais eficientes, apoiados por agentes de IA. Não significa que os empregos vão desaparecer, mas os times podem se tornar mais enxutos. Por outro lado, vamos ver uma explosão de empreendedorismo, porque as barreiras para empreender diminuíram. Antes era caro montar um site, criar um aplicativo, estruturar um time. Hoje a IA pode ajudar em tudo isso. Então voltamos àquela ideia: deixamos de ser executores e passamos a ser pensadores do trabalho. Uma palavra que tem sido muito usada é arquitetura do trabalho, desenhar o workflow. Ou seja, o que eu delego para esse agente e como conecto tudo isso. É para esse lugar que o mundo do trabalho está caminhando.

Dentro da rotina de trabalho, cada pessoa vai ter de entender o ‘como pensar’ que a sra. mencionou, o ‘como fazer’, o ‘como perguntar’ para a IA. Assim, será possível ter eficiência no trabalho. É isso?

Saindo um pouco do ‘o que pensar’ para o ‘como pensar’ e até o ‘por que pensar’. A maior parte das escolas e universidades ensina o que pensar, não como pensar. O que é certo, o que é errado, decore isso, não decore aquilo. Se você fizer isso, chega ali. Esse foi o modelo em que fomos educados. Só que hoje as respostas já estão prontas na internet. Então esse modelo de aprendizado mais baseado em decorar perde relevância. Por isso, o pensamento crítico, o senso crítico e a criatividade vão ser importantes. Agora, imagina um universo em que você começa a ter agentes melhores. Quem é criativo e tem um repertório amplo, portanto mais pontos de conexão entre ideias, tem uma vantagem enorme. Esse é o segundo grande shift que eu menciono na palestra que apresentei em Austin. O primeiro era esse movimento do fazer para o desenhar o trabalho. O segundo é que estamos saindo da era do especialista para a era do generalista. Até aqui, o profissional mais valorizado foi o especialista. Fomos incentivados a isso na educação: escolha uma coisa, seja muito bom nela e suba a escada corporativa. Mas imagina que você passou a vida inteira sendo excelente em fazer uma única coisa e, de repente, chega uma IA e passa a fazer aquilo melhor, mais rápido e talvez até de graça. Nesse cenário, quem tem um perfil mais generalista e criativo ganha vantagem. Isso não significa que não seja preciso ter profundidade. A nossa carreira no passado era um pouco de conhecimento geral e muita profundidade em uma única coisa. Pensa no meu pai, por exemplo. Ele fez engenharia e foi engenheiro da Petrobras durante a maior parte da carreira. Era uma carreira típica do século passado com estabilidade, promissora e de longo prazo. Porque desenvolver outras habilidades era mais difícil. Não tinha internet, não havia tantos lugares para aprender coisas novas além da universidade. Aquilo que ele aprendia na faculdade sustentava a carreira inteira, porque as mudanças eram mais lentas. Hoje a realidade é outra. Com a tecnologia, o tempo de validade das habilidades técnicas está encurtando cada vez mais. Quando olhamos para o futuro, esse tempo tende a diminuir ainda mais. Essa é uma analogia que meu sócio, eu sou sócia de uma consultoria americana de IA chamada Signal & Cipher, costuma usar. Meu sócio é o Ian Beacraft, inclusive, vai estar no São Paulo Innovation Week. Ele desenvolveu um conceito chamado fluxo de habilidades. A ideia é mostrar que, se antes uma habilidade durava décadas, hoje dura muito menos. Ele projeta que, até meados do século, esse ciclo pode ser de seis em seis meses. Ou seja, você aprende uma forma de trabalhar, surge uma nova IA, você precisa mudar. Logo depois surge outra e muda de novo. Se estamos caminhando para um mundo assim, o valor do profissional deixa de ser ‘o que eu sei’ e passa a ser ‘o quanto eu consigo me adaptar’.

Aproveitando o seu gancho do ‘São Paulo Innovation Week’, a sra. é curadora do evento. Pode compartilhar como os eixos que montou vão funcionar?

No São Paulo Innovation Week lidero a curadoria sobre futuro do trabalho, dividi em três três eixos. O primeiro se conecta com o que falamos a respeito da rearquitetura do nosso trabalho. Nesse primeiro bloco, vamos falar sobre as mudanças no mundo do trabalho. No segundo bloco, vamos falar de IA. Não tem como aprofundar o tema do futuro do trabalho sem falar de inteligência artificial. Teremos um terceiro momento, que vai ser um painel em que vamos falar desse novo universo de habilidades: menos o emprego, o job description, mais a contratação por projeto e por habilidade, que é uma realidade no Brasil. Vamos trazer casos de empresas brasileiras que estão trabalhando com esse modelo de contratação por habilidade. Por fim, entramos no bloco ‘nós, humanos, diante de tudo isso o que faremos?’ O papel da inteligência emocional, o papel da saúde mental, o papel de cuidarmos da gente e das nossas relações. Teremos ainda um painel em que devemos falar sobre felicidade no trabalho. Empresas que levam isso a sério e como isso impacta performance e resultado, não apenas porque é algo legal de fazer. Também vamos falar sobre periferia e futuro do trabalho. O título é ‘O futuro do trabalho nas favelas’, vou ter a honra de moderar e entrevistar Edu Lyra, CEO da Gerando Falcões.

Quais são as provocações para quem está chegando agora ao mercado de trabalho? E para quem está em um nível intermediário na carreira e foi surpreendido pelas mudanças, o que cada desses grupos precisa fazer para se adaptar à nova realidade?

No geral, o recado costuma ser o mesmo para todas as pessoas, mas vou tentar separar. Quando penso nos jovens que ainda estão decidindo o que vão fazer, quem ainda está naquela fase de ‘o que eu vou ser quando crescer?’ Vocês não precisam ter a pressão que nós tivemos. Tínhamos de escolher uma carreira e seguir aquele caminho. Era ‘Vou fazer uma faculdade e vou seguir essa carreira’. A turma que está pensando na carreira agora provavelmente não vai ter uma única carreira na vida. Serão várias, muitas vezes completamente diferentes. Quando olho para essa turma jovem que está entrando no mercado de trabalho, penso nos quatro pilares que estudo. Existe uma geração que domina a tecnologia com mais facilidade porque eles não têm o modelo mental de ontem. Eles não usam a tecnologia como usamos. Tem um vídeo do Sam Altman, CEO da OpenAI, em que ele diz que as pessoas mais velhas usam o ChatGPT como se fosse o Google. Já as pessoas um pouco mais jovens, ali na faixa dos 30 anos, usam quase como um terapeuta. Mas, ao mesmo tempo, tudo que estudo sobre a geração Z aponta atenção para a saúde mental. Se eu fosse mãe ou se eu fosse uma pessoa dessa geração, iria me conhecer melhor, cuidaria da minha saúde mental e buscaria construir uma base emocional para encarar um mundo que vai mudar rápido. Também mergulharia de cabeça em inteligência artificial. Esse é o recado para a turma mais jovem. Agora, qual é a segunda audiência? Aquela que está há algumas décadas no mercado de trabalho e percebeu: ‘Bom, preciso me atualizar e me adaptar às mudanças’. E aí, voltamos aos quatro pilares. Porque não é só a gen Z que enfrenta desafios de saúde mental. Sempre fui uma pessoa bem resolvida emocionalmente, mas tive algumas crises de saúde em determinado momento da carreira. Fiz quatro cirurgias em dois anos, uma delas foi na coluna, o que mexeu muito com o meu emocional. Fiquei 40 dias sem sair da cama. Aquilo abalou profundamente minha saúde mental. Mesmo depois de resolver as questões físicas, emocionalmente eu ainda estava muito fragilizada: crise de insônia, crise de ansiedade, coisas que eu nunca tinha tido na vida. Aquele foi o momento em que tive o pior desempenho profissional de toda a minha carreira. Ali ficou muito claro que, se esse pilar não estiver bem, o resto não acontece. Não adianta dizer para alguém que não está bem: ‘Vai aprender a construir agentes de IA’. Não funciona. Se alguém sente que não está bem emocionalmente, para mim esse é o primeiro pilar. Para enfrentar tudo que está vindo, você precisa estar firme. Precisa saber dizer não, saber até onde pode ir. Senão, a gente passa por cima de si mesmo e a produtividade despenca. Agora, se a pessoa está bem, dorme bem, tem equilíbrio, tem seus pilares pessoais organizados, sem dúvida alguma, o caminho é mergulhar de cabeça em tecnologia e IA. Muitas pessoas acham que isso não é para elas, ou que é difícil. Você precisa investir horas, não é só apertar um botão. Mas também não dá para dizer ‘Não sei fazer’, porque a própria IA te explica tudo passo a passo. É um novo aprendizado. Se você está sem ideias, pergunte para a IA. ‘Tenho tantos anos de experiência, quero criar algo. Quais ideias sugere?’ Ela vai ajudar. A decisão de agir sem medo, de se reinventar, de redesenhar a própria carreira está totalmente nas nossas mãos. Não é responsabilidade do chefe, do professor, do pai ou da mãe. É uma decisão individual. Dito isso, o São Paulo Innovation Week é uma grande oportunidade para ampliar o olhar sobre tudo isso. O palco sobre futuro do trabalho acontece no dia 15 de maio. Quem quiser se aprofundar no tema pode também ler O Profissional do Futuro, em que explico os pilares, os próximos passos da IA e como tudo isso deve impactar o mercado de trabalho, a educação, os empregos e as habilidades que vamos precisar desenvolver.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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