O endividamento das famílias está no centro das discussões do governo federal. Em uma reunião com a bancada do PT na Câmara, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou que o governo estuda usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar no pagamento de dívidas.

Além disso, o ministro indicou que se pretende impor limites às despesas com apostas digitais – as chamadas “bets” – para quem aderir ao programa de redução de endividamento. A proposta ainda não tem data para ser formalizada, mas já foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As informações foram divulgadas pelo Estadão, que acompanhou a reunião e as declarações de Durigan.

Uso do FGTS como ferramenta de refinanciamento

Durigan explicou que o Ministério da Fazenda está conversando com o Ministério do Trabalho para avaliar o impacto de liberar recursos do FGTS para o refinanciamento de dívidas. “Se a gente achar que for razoável uma utilização para refinanciamento de algumas dívidas, isso vai ser admitido”, disse o ministro.

O objetivo é oferecer condições mais favoráveis para trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas, possibilitando descontos nas parcelas e redução das taxas de juros.

Limitação de gastos com bets

Outra preocupação da equipe econômica é evitar que o alívio nas finanças das famílias se converta em novos endividamentos, especialmente com apostas online. “Temos discutido limitar um posterior endividamento dessas pessoas, como, por exemplo, com bets, com apostas digitais”, afirmou Durigan.

Essa medida busca proteger os consumidores de um ciclo de dívida que poderia se reativar rapidamente após a renegociação.

Unificação de dívidas e renegociação

O governo pretende permitir que as famílias unifiquem todas as dívidas em atraso – cartão de crédito, empréstimo pessoal, cheque especial – para renegociar com os bancos. A ideia é diminuir a taxa de juros e tornar o pagamento mais viável.

Segundo fontes próximas ao projeto, ainda não há um contrato final, mas o caminho está sendo aprofundado, considerando também a possibilidade de redução da taxa Selic ao longo de 2026.

A proposta chega em um momento de alta da taxa básica de juros (14,75% ao ano) e de incertezas econômicas decorrentes de conflitos internacionais, que têm influenciado as projeções do Copom.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
BRB foi vítima de fraude de ex-presidente e Ibaneis tem CPF diferente do meu, diz governadora do DF

Governo do Distrito Federal busca apoio de Lula para cobrir rombo bilionário do Banco Master no BRB que ameaça estabilidade da instituição financeira

A governadora Celina Leão acionará o Tesouro Nacional em uma tentativa de salvar o Banco de Brasília, mesmo após embates políticos com a gestão petista
Bolha à vista? Investimentos bilionários em IA podem afetar caixa de empresas de tecnologia

Investimentos Bilionários em IA de Big Techs como Meta, Amazon e Alphabet em 2026 Podem Gerar Fluxo de Caixa Negativo e Bolha no Mercado de Ações

Analistas alertam para riscos em gastos astronômicos de até US$ 700 bilhões das gigantes de tecnologia
Acordo Mercosul-UE é marco histórico, mas sucesso dependerá da execução, diz Tereza Cristina

Acordo Mercosul-UE é marco histórico, mas sucesso dependerá da execução, diz Tereza Cristina

Ursula von der Leyen e Lula celebram acordo UE-Mercosul 1:37 A presidente…
BRB pede aporte de até R$ 8,86 bilhões após perdas com o Banco Master

Privatização do BRB: Governo do DF avalia opções entre aporte, empréstimo do FGC e venda para salvar banco público em crise

Autoridades analisam se a única saída para o Banco de Brasília é a privatização, diante da falta de recursos e da pressão de investidores