Após três décadas, o renomado empresário argentino Marcelo Mindlin, conhecido por liderar a gigante de energia Pampa Energía, retorna ao cenário de investimentos no Brasil. Desta vez, seu foco está no setor de cimento, assumindo um papel crucial na reestruturação e no futuro da InterCement, a terceira maior fabricante de cimento do Brasil.

Mindlin, à frente da Latcem, junto às gestoras Moneda e Redwood Capital, adquiriu os créditos de dívidas de grandes bancos brasileiros, como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Esta movimentação estratégica não apenas resolveu uma longa disputa financeira, mas também o posicionou como principal acionista da InterCement, que inclui a líder de mercado argentina Loma Negra.

A aquisição marca um ponto de virada para a InterCement, que enfrentava recuperação judicial com uma dívida de quase R$ 10 bilhões. Com uma nova gestão e injeção de capital, o grupo promete uma fase de revitalização, com foco em eficiência operacional e crescimento, conforme divulgado pelo Estadão.

Mindlin Reestrutura Dívida e Traça Rota para o Crescimento da InterCement

A chegada de Marcelo Mindlin à InterCement é acompanhada por uma reestruturação financeira robusta. A dívida original da empresa, que superava os US$ 1,8 bilhão, foi significativamente reduzida para US$ 450 milhões, com um prazo de pagamento de cinco anos e uma taxa de juros competitiva de 6,75% ao ano em dólar. Além disso, haverá uma injeção de US$ 110 milhões em novos recursos, elevando o passivo total para US$ 560 milhões, aproximadamente R$ 3 bilhões.

Essa nova estrutura financeira, considerada sólida por Mindlin, permitirá à InterCement e à Loma Negra focar na recuperação de investimentos que foram postergados devido à crise. O empresário argentino assume a presidência dos conselhos de administração de ambas as companhias, mantendo Sergio Faifman como CEO, visando uma nova etapa de estabilidade e crescimento.

Venda da Loma Negra e Visão de Longo Prazo

Parte do acordo de recuperação judicial da InterCement prevê a venda de sua participação de 52,14% na Loma Negra, líder no mercado argentino com 45% de fatia. Este processo, que se inicia ainda neste trimestre, tem como objetivo quitar debêntures com garantia, e Mindlin já manifestou forte interesse em adquirir essa fatia, dependendo do preço.

Mindlin descreve a oportunidade de investir em duas empresas tão fortes em seus respectivos países como algo raro, evidenciando sua visão de longo prazo para o negócio de cimento. Sua trajetória na Argentina, com a fundação da Pampa Energía em 2005, reforça seu compromisso com investimentos duradouros, desmentindo rumores sobre uma possível venda dos ativos brasileiros da InterCement no curto ou médio prazo.

Foco em Eficiência Operacional e Sem Grandes Aquisições no Horizonte

Para os próximos 12 meses, a prioridade da nova gestão da InterCement será aprimorar a eficiência operacional e retomar os investimentos de manutenção que foram adiados. Com uma situação financeira estabilizada, a empresa buscará atingir níveis de competitividade global, oferecendo um melhor serviço aos seus clientes nos mercados brasileiro e argentino.

Questionado sobre possíveis aquisições no Brasil, como a cimenteira da CSN, Mindlin indicou que o valor seria “demasiado grande” para a InterCement no momento. Ele reforçou que o foco estará na consolidação e crescimento interno, e não em grandes transações de fusão e aquisição no futuro imediato.

Integração Energética e Perspectivas para a Argentina

Além do setor de cimento, Mindlin também está atento às oportunidades de integração energética entre Brasil e Argentina, especialmente no segmento de gás natural. A Pampa Energía, sua outra grande empresa, recentemente captou US$ 200 milhões para expandir investimentos na região de Vaca Muerta, na Argentina, indicando um interesse em fortalecer a relação comercial entre os países.

No que tange à Loma Negra, apesar de o mercado argentino estar retraído e a empresa operar abaixo de 50% de sua capacidade, Mindlin expressa otimismo. Ele destaca que a fábrica de L’Amalí, uma das mais modernas da América Latina, já passou por uma expansão significativa de mais de US$ 300 milhões, estando preparada para o crescimento futuro da demanda, impulsionado por grandes investimentos em mineração, petróleo e gás na Argentina.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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