Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, os preços do petróleo e do gás natural atingiram patamares recordes, puxando os mercados globais para baixo. As bolsas internacionais operaram em queda, refletindo a preocupação dos investidores com a instabilidade geopolítica. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a oportunidade para reafirmar seu projeto de fortalecer o papel do Estado nos setores estratégicos.

Em entrevista concedida a Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum, Lula declarou que ainda nutre o sonho de criar empresas públicas de distribuição de gás, combustível e de transmissão de energia elétrica. O presidente criticou a privatização de ativos estratégicos e apontou a necessidade de retomar o controle sobre empresas como a BR Distribuidora e a Eletrobras.

As declarações aparecem pouco antes da divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que elevou o déficit primário estimado das estatais federais de R$ 1,074 bilhão para R$ 1,520 bilhão, sem contar gastos adicionais de grande porte. Conforme divulgado pelo Estadão, o “déficit de facto” pode chegar a R$ 15,458 bilhões quando são incluídos os custos com a reestruturação dos Correios e outras despesas não contabilizadas.

Contexto econômico e político da entrevista de Lula

Alta nos preços do petróleo e queda nas bolsas

Os ataques ao Irã lançados pelos Estados Unidos e Israel elevaram o preço do crú e do gás, provocando retração nas principais bolsas mundiais. Esse cenário gera pressão inflacionária e desafia políticas de controle de preços no Brasil.

Defesa de novas estatais de energia

Lula afirmou que, ao contrário da privatização da BR Distribuidora, que só poderia ser revertida a partir de 2029, o Estado deve ter a possibilidade de readquirir o controle antes disso. “Eu ainda sonho que a gente vai criar uma outra Eletrobras, ou quem sabe uma empresa mais moderna e melhor”, declarou o presidente.

Déficit das estatais e medidas fiscais

O governo federal aumentou a estimativa de déficit das empresas estatais, agora incluída a reestruturação dos Correios (R$ 10 bilhões) e outras despesas (cerca de R$ 4 bilhões). O presidente destacou ainda medidas como o acordo com governadores para isenção do ICMS e a cobrança de imposto dos exportadores, reforçando a importância de ter a BR Distribuidora nas mãos do Estado para controlar os preços.

Impactos futuros e perspectivas

Se o plano de Lula for efetivado, a criação de novas estatais pode alterar o panorama energético brasileiro, fortalecendo a capacidade de regulação de preços e a segurança do abastecimento. No entanto, o aumento do déficit das estatais coloca em xeque a viabilidade fiscal dessas iniciativas.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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