A busca incessante pela juventude eterna deixou de ser apenas um roteiro de ficção científica para se tornar um dos setores mais promissores da tecnologia global. Bilionários do Vale do Silício estão investindo fortunas para descobrir se a ciência pode vencer a morte.
Atualmente, clínicas de luxo oferecem tratamentos que variam de crioterapia extrema a infusões de moléculas regenerativas, enquanto gigantes da inteligência artificial tentam decifrar os códigos biológicos que definem quanto tempo um ser humano pode viver.
Essa corrida envolve desde métodos pouco regulamentados até pesquisas científicas rigorosas que prometem estender a vida saudável de forma sem precedentes em apenas dez anos, conforme divulgado pelo Estadão.
O avanço da Inteligência Artificial na medicina e a nova era da longevidade humana
Dario Amodei, chefe da Anthropic, laboratório de inteligência artificial, sugeriu que sua tecnologia poderia aumentar a expectativa de vida humana para 150 anos. Sam Altman, da OpenAI, investiu mais de US$ 180 milhões na Retro Biosciences.
O objetivo de Altman é adicionar dez anos saudáveis à vida humana por meio de biotecnologia avançada. Até líderes mundiais, como Xi Jinping e Vladimir Putin, foram ouvidos cogitando que transplantes de órgãos poderiam tornar a imortalidade possível.
O interesse em viver mais cresce junto com o envelhecimento da população global. Quase um quinto da população em países ricos já possui mais de 65 anos, e a projeção é que esse número ultrapasse um quarto até o ano de 2050.
Clínicas de luxo e o mercado da juventude impaciente
Enquanto os medicamentos definitivos não chegam, surgiu um mercado voltado para os impacientes. Clínicas como a HUM 2 N, em Londres, oferecem pacotes de sessões de crioterapia e oxigênio puro que custam milhares de dólares por cliente.
Empresas como a Prenuvo cobram cerca de US$ 4 mil por ressonâncias magnéticas de corpo inteiro, prometendo identificar cânceres precocemente. No entanto, muitas dessas práticas operam à margem do sistema de saúde convencional e sem cobertura de seguros.
O termo longevidade ainda não é regulamentado, o que permite que tratamentos experimentais sejam vendidos como soluções milagrosas. Em muitas clínicas, os clientes escolhem o próprio tratamento como se estivessem pedindo uma pizza, o que gera críticas de médicos.
A revolução dos medicamentos GLP-1 e a biologia humana
Um medicamento que retardasse o envelhecimento seria o maior produto da história. Alex Zhavoronkov, da Insilico Medicine, questiona: “Você pode vender um ano de vida. Quanto você pode cobrar?”, evidenciando o potencial lucrativo deste novo nicho de mercado.
Os medicamentos GLP-1, usados para diabetes e obesidade, mostraram que pacientes estão envelhecendo mais lentamente. Dados sugerem que a idade biológica do coração de quem usa essas substâncias pode ser até quatro anos menor em comparação ao grupo placebo.
A Novo Nordisk e a Eli Lilly agora estudam como essas drogas ajudam no tratamento de doenças cardíacas e renais. Esses avanços mudaram a forma como a indústria farmacêutica encara a oportunidade de criar medicamentos para o mercado de massa focado em longevidade.
IA e a reprogramação epigenética para reverter a idade
A nova geração de startups aposta na Inteligência Artificial para acelerar descobertas. No ano passado, empresas de biotecnologia voltadas para a longevidade captaram US$ 18,4 bilhões, superando o total acumulado de toda a década anterior de investimentos.
A Insilico Medicine desenvolveu o rentosertib, um medicamento para fibrose pulmonar que entrou na fase final de testes. Em estudos preliminares, os pacientes que receberam a droga apresentaram relógios biológicos três anos mais jovens que os demais.
Outras empresas, como a NewLimit e Altos Labs, focam na reprogramação epigenética. A ideia é que os interruptores químicos no DNA, que se desregulam com o tempo, possam ser reprogramados para devolver às células o vigor de sua fase juvenil original.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







