O setor corporativo de São Paulo acaba de registrar um marco histórico com a maior operação de aluguel já realizada no país. O Itaú Unibanco assumiu a totalidade de um complexo de torres de alto padrão na capital paulista.
Essa movimentação gigantesca não apenas reforça a presença física das grandes empresas, como também acende um alerta para investidores e inquilinos sobre a futura falta de grandes espaços disponíveis na cidade.
Especialistas apontam que o negócio serve como um divisor de águas para o mercado imobiliário, indicando que o ciclo de alta vacância ficou para trás, conforme divulgado pelo Estadão.
Por dentro da maior locação do mercado imobiliário brasileiro no Esther Towers
O contrato fechado pelo Itaú contempla as duas torres do Complexo Esther Towers, que somam impressionantes 91,4 mil m² de escritórios. Essa área é o equivalente a 12 campos de futebol, um recorde absoluto para o setor.
Até então, a maior locação da história pertencia ao Banco do Brasil, que em 2013 alugou 86 mil m² em Brasília. O novo negócio em São Paulo coloca a região da Chucri Zaidan como um hub consolidado, competindo com a Faria Lima.
De acordo com a sócia diretora da Binswanger, Simone Santos, essa é uma virada de chave, pois o fechamento de uma operação desse tamanho indica que podem começar a faltar áreas de escritórios em breve na capital.
O fim da era da vacância alta e a volta ao presencial
A movimentação do banco ocorre em um momento de aquecimento, onde grandes empresas abandonam o home office total. Gigantes como Amazon, Uber e Nubank também já garantiram espaços amplos para acomodar seus times.
Durante o auge da pandemia, os espaços vagos chegaram a 22%. Atualmente, a vacância média na cidade caiu para 15%. Em prédios de padrão triplo A, o índice é ainda mais baixo, atingindo apenas 9,8% de disponibilidade.
Regiões nobres como a Avenida Paulista e a Faria Lima já sofrem com a falta de espaços, apresentando vacância entre 5% e 9%. Isso força as empresas a buscarem alternativas em eixos em plena expansão, como a zona sul.
Por que faltarão prédios de luxo em São Paulo a partir de 2027?
Especialistas da consultoria CBRE alertam que o estoque de grandes lajes corporativas está chegando ao fim. Para quem busca áreas acima de 10 mil m² em imóveis de altíssimo padrão, existem poucas opções no mercado atual.
A legislação urbanística atual, através do Plano Diretor, dificulta a construção de torres gigantescas como as do Esther Towers. Isso significa que os futuros lançamentos tendem a ser menores e mais pulverizados pela cidade.
“Vamos ver carência de projetos grandes a partir de 2027”, estimou o diretor sênior de locação da CBRE, Felipe Giuliano. Ele reforça que a maioria dos edifícios em obras já possui contratos de locação assinados antes mesmo da entrega.
As maiores movimentações recentes no setor corporativo
Além do Itaú, outras empresas movimentaram o mercado recentemente. O Nubank garantiu 50 mil m² nos edifícios Cyrela Corporate e Capote 210, enquanto a Amazon alugou sozinha quase 40 mil m² no prédio Biosquare.
Esses dados mostram que o mercado imobiliário de escritórios triplo A está em uma fase de absorção rápida. Empresas que não agilizarem seus contratos agora poderão enfrentar preços muito mais altos e poucas opções de escolha.
A consolidação desses polos empresariais transforma a dinâmica de São Paulo, criando novos centros de interesse econômico e valorizando imóveis comerciais que antes eram vistos apenas como alternativas secundárias de custo.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir o conteúdo completo no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.




