A inflação medida pelo IPCA deve cair abaixo de 4% já em fevereiro e se aproximar dos 3% da meta do Banco Central em março. Esse cenário anima o presidente Lula, que busca reeleição em outubro. Economistas destacam deflação nos alimentos e valorização do real como motores principais.
Os bons números chegam bem na véspera da campanha eleitoral. Pela primeira vez desde 2021, o IPCA acumulado em 12 meses ficaria consistentemente abaixo de 3,5%. Isso pode ser um trunfo para o governo no palanque.
Mas será que a economia vai definir o voto? Analistas alertam que temas como segurança e corrupção ofuscam os indicadores positivos. Conforme divulgado pelo Estadão.
Deflação de alimentos e câmbio forte derrubam IPCA
A deflação de alimentos e a apreciação cambial explicam boa parte da queda no IPCA. Esses fatores afetam tanto comida quanto bens industriais. Bruno Serra, ex-diretor do BC, prevê inflação de 3,2% em março, com a Selic em ciclo de corte.
“Estamos mais confiantes de que a inflação vai ficar abaixo de 3,2% até outubro do que em relação a esse repique no fim do ano”, afirma Serra. O índice deve se manter baixo até as eleições.
Ponto mais baixo do IPCA em julho impulsiona Lula
João Fernandes, da Quantitas, vê o IPCA abaixo de 3,5% de março a julho, com mínimo de 3,07% no sétimo mês. O dado sai em 11 de agosto, logo no início da campanha.
O bônus de Itaipu barateia energia em 2026, criando um “vale” na inflação. “Em agosto, a tarifa sobe e o acumulado pula para 3,82%”, calcula Fernandes. André Galhardo aposta em 3,25% em julho.
BNP Paribas reforça: inflação colada nos 3% em julho
Laiz Carvalho, do BNP Paribas, prevê o fundo do IPCA em julho, quase nos 3%. Parte é efeito matemático, com saída de altas antigas, mas o número é positivo. “Ajuda na narrativa do governo em ano eleitoral”, diz ela.
Haddad e Lula já exaltam crescimento com inflação baixa. Galhardo nota que o mercado de trabalho se acomoda, ajudando a desinflação.
Economia perde espaço para segurança e corrupção nas urnas
Apesar dos números, pesquisas mostram economia em segundo plano. Rafael Cortez, da Tendências, explica: “Economia é condição necessária, mas não suficiente”. Conflitos sociais dominam.
Inflação baixa e programas sociais viraram “de Estado”, não de governo. Pobres e ricos priorizam segurança e combate à corrupção sobre ajuste fiscal.
A fonte original é o Estadão.







