Com mais de 600 mil entregadores ativos, o iFood calculou que a regulamentação do trabalho desses profissionais pode gerar uma despesa previdenciária de R$ 500 milhões já no próximo ano. O valor surge no meio da discussão do Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/25, que segue para votação na Câmara dos Deputados. O assunto ganha força após anos de negociações entre plataformas, trabalhadores e legisladores.

Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, o CEO do iFood, Diego Barreto, afirmou que o texto eleva a intervenção sobre as plataformas, mas ainda preserva a autonomia dos entregadores e amplia a inclusão previdenciária. “Este não é o texto ideal, mas é preciso avançar”, afirmou o executivo, que vê a regulamentação como forma de reduzir a insegurança jurídica (fonte: Estadão).

O próximo parecer do relator da PLP, deputado Augusto Coutinho (Republicanos‑PE), mantém a classificação de “trabalhador plataformizado” como autônomo, afastando vínculo empregatício e garantindo liberdade para atuar em múltiplas plataformas. A seguir, os principais pontos da proposta e as reações do iFood.

Impacto financeiro e previdenciário segundo o iFood

O iFood estima que a nova regra acarretará uma despesa de R$ 500 milhões em contribuições ao INSS. Esse valor representa um custo considerável para as plataformas, mas, segundo Diego Barreto, é menor que os riscos de manter a situação atual sem regulamentação. “Com a regulamentação, os custos vão aumentar. É um peso desproporcional para as plataformas? Sim. Mas o custo social e a insegurança jurídica são muito maiores”, explicou.

Salário por hora e pisos de remuneração

A PLP estabelece um salário por hora equivalente a 200 % do salário mínimo, o que, segundo Barreto, torna o Brasil o país com a remuneração mais cara para entregadores. “É o mais caro do mundo quando comparado aos 120 % a 130 % praticados no Chile”, destacou.

Contribuição previdenciária e responsabilidade das plataformas

O texto prevê que a maior parte da contribuição previdenciária seja de responsabilidade das plataformas, configurando, na visão do iFood, “a maior inclusão previdenciária da história do Brasil desde a criação do MEI”. Esse modelo é visto como positivo para garantir proteção social aos entregadores.

Críticas e preocupações do iFood

Barreto apontou que a taxa fixa por entrega, prevista no PLP, pode ser “um erro prático e jurídico”. Ele argumenta que um valor de R$ 8,50 por transporte em um pedido de R$ 20 eleva o custo em quase 50 %, reduzindo a demanda, sobretudo em regiões de baixa renda. Essa situação pode prejudicar restaurantes, entregadores e clientes.

Impacto nos restaurantes e na operação das plataformas

Segundo o CEO, os custos adicionais serão parcialmente absorvidos pelas plataformas, mas os restaurantes, especialmente os menores, precisarão melhorar a eficiência operacional e adaptar preços. A inovação tecnológica e ajustes de margens são esperados para equilibrar a nova carga financeira.

Questões jurídicas e insegurança

Barreto também questionou a escolha da Justiça do Trabalho para resolver conflitos, mesmo sem vínculo empregatício reconhecido, o que pode gerar insegurança jurídica e frear a inovação no setor.

A versão final do parecer retirou benefícios como adicional noturno e gratificação de fim de ano, sob a justificativa de que o piso elevado já engloba tais variáveis. Para Diego Barreto, o momento é de pragmatismo: “Está na hora de passarmos uma régua nessa discussão e darmos um passo à frente”.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Empresários debatem caminhos para crescer em cenário econômico desafiador

Inovação e IA: descubra como crescer o seu negócio com segurança em um cenário desafiador

Especialistas e empreendedores revelam as estratégias para adaptar empresas ao uso da tecnologia e inteligência artificial
Dedo do Banco Master chegou também ao setor de seguros

Dedo do Banco Master chegou também ao setor de seguros

Depoimento de Vorcaro na CPI poderia ser oportunidade para escancarar a bancada…
Tarifas eram esperadas, e exceções devem limitar impacto, dizem analistas; Weg deve ser penalizada

Tarifas de Trump para o Brasil: saiba quais empresas fogem das taxas e como investir!

A imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos gera incerteza, mas isenções para setores-chave podem salvar ações na Bolsa.
O que Javier Milei precisa fazer para derrubar a inflação anual da Argentina para um dígito?

Milei na Argentina: Milagre Econômico Libertário em Xeque Após Dois Anos de Ajuste Fiscal e Inflação em Queda para Menos de 3% ao Mês?

Javier Milei Transforma Economia Argentina com Cortes Drásticos, Mas Desafios para Inflação de Um Dígito Persistem