O Grupo Fictor, que teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo em abril, finalmente apresentou sua estratégia para lidar com uma dívida bilionária. O conglomerado, que ganhou destaque nacional ao tentar adquirir o Banco Master pouco antes de entrar em crise, agora busca fôlego financeiro para sobreviver.

A proposta detalhada pelo grupo foca na captação de novos recursos, mas as condições oferecidas aos investidores causaram uma reação imediata de descontentamento. Credores já começaram a registrar objeções formais contra o documento apresentado na última terça-feira à noite.

Representantes jurídicos de centenas de investidores afirmam que o plano é desequilibrado e prejudica severamente quem financiou as atividades da empresa no passado, conforme divulgado pelo Estadão.

Detalhes do plano de recuperação judicial e o financiamento DIP

Para tentar reverter o cenário de insolvência, o Grupo Fictor aposta na contratação de um financiamento do tipo DIP, um empréstimo específico para empresas em recuperação judicial. Se conseguir captar até R$ 150 milhões, o grupo pretende priorizar micro e pequenas empresas.

Nesse cenário, o pagamento para esses pequenos credores teria um limite de R$ 8 mil por cada um. O plano também estabelece faixas de quitação para quem possui créditos de até R$ 100 mil, prevendo pagamentos fixos e porcentagens sobre o valor que exceder determinados limites estabelecidos pela companhia.

A polêmica do desconto de 95% e o prazo de 15 anos

O ponto de maior tensão no plano de recuperação judicial surge caso a Fictor não consiga o financiamento necessário em 18 meses. Nessa situação, o grupo sugere aplicar um desconto agressivo de 95% sobre o valor das dívidas, o que foi recebido com choque pelos investidores.

Além do corte drástico, os 5% restantes seriam pagos em 15 parcelas anuais. O início desse pagamento ocorreria apenas cinco anos após a homologação do plano pela Justiça. Para os advogados dos credores, essa proposta anula o direito de quem investiu e gera um prejuízo quase total para os envolvidos.

Críticas dos representantes e a criação de subclasses

O advogado Felipe Gosuen da Silveira, que representa cerca de 300 credores, já apresentou uma objeção oficial. Segundo ele, o plano cria uma disparidade injusta e estabelece o que ele chamou de subclasse de credores sacrificáveis, ao impor deságios considerados abusivos e fora da realidade legal.

Outro ponto de conflito é o cálculo da taxa de remuneração. Enquanto a administradora judicial sugere o uso da taxa Selic e IPCA, os credores exigem que sejam mantidos os rendimentos previstos nos contratos originais, defendendo que os acordos feitos anteriormente devem ser respeitados durante a recuperação judicial.

O que acontece agora na assembleia geral de credores

Com as objeções apresentadas dentro do prazo legal, o plano deverá ser levado para votação em uma assembleia geral de credores. Especialistas explicam que, embora os credores quirografários tenham um peso importante na decisão, o processo de aprovação segue regras rígidas de classes e valores totais.

Caso o plano não seja aprovado por todas as classes, ainda existe a possibilidade de o juiz do caso homologá-lo, desde que sejam cumpridos requisitos específicos de apoio da maioria. O futuro do Grupo Fictor e de seus 4,3 bilhões de reais em dívidas depende agora desse embate jurídico e da capacidade de negociação com seus investidores.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Pix registra instabilidade na manhã deste domingo; usuários relatam falhas em pagamentos

Pix fora do ar? Instabilidade trava pagamentos e gera caos no domingo; veja o que aconteceu

Milhares de brasileiros relataram falhas no sistema do Banco Central em pleno domingo, afetando desde compras simples até grandes operações.
BRB deve ser comunicado de multa diária do BC por descumprir prazo para balanço

BRB Sob Pressão: Banco Central Aplica Multa Diária por Atraso em Balanço e Futuro da Instituição é Incerto Após Caso Master

Atraso na divulgação do balanço do BRB gera preocupação e pode levar a sanções do BC e CVM, com capitalização urgente em pauta.
Boulos precisa proibir o iFood (e o iPhone): e se os celulares estiverem destruindo a economia?

Boulos precisa proibir o iFood (e o iPhone): e se os celulares estiverem destruindo a economia?

O ministro Boulos enfrenta críticas por sua proposta de aumentar a remuneração…
Suprema Corte mostra que instituições dos EUA funcionam, mas é cedo para festejar o fim do tarifaço

Suprema Corte mostra que instituições dos EUA funcionam, mas é cedo para festejar o fim do tarifaço

‘Tarifaço dos EUA é das decisões mais anticapitalistas que o mundo já…