O governo federal está estruturando uma nova linha de crédito de até R$ 1 bilhão para socorrer as companhias aéreas brasileiras. A medida busca oferecer suporte financeiro diante da disparada de custos causada pela elevação dos preços dos combustíveis no mercado internacional, conforme divulgado pelo Estadão.
O modelo em gestação prevê que a União assuma o risco integral das operações de crédito. O limite por empresa beneficiária deverá ser de 1,6% do faturamento bruto anual de 2025, com um teto estabelecido em R$ 330 milhões por grupo econômico, visando estabilizar o caixa das aéreas.
A iniciativa responde diretamente aos impactos econômicos gerados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Este novo auxílio complementa outras ações já adotadas pela gestão federal para reduzir os prejuízos causados pela volatilidade do petróleo na aviação nacional.
Impacto da guerra no custo das passagens aéreas
A instabilidade internacional elevou drasticamente o preço do querosene de aviação (QAV). De acordo com André Castellini, especialista do setor, esse insumo representa entre 35% e 40% de todo o custo operacional das empresas, tornando o preço do bilhete extremamente sensível a essas variações.
Dados setoriais ilustram a gravidade do cenário. A Latam, por exemplo, viu o custo do barril saltar de US$ 90 no início do ano para uma estimativa de US$ 170 entre o segundo e terceiro trimestres, o que representa um aumento superior a 89% em poucos meses.
Detalhes da nova linha de crédito
O desenho do programa, que ainda aguarda regulamentação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), foca exclusivamente no reforço do capital de giro. A proposta atual define que a liberação dos recursos deve ocorrer em parcela única, com prazo de reembolso de até seis meses.
Em caso de inadimplência, o texto propõe a incidência de juros de mora e multas, além da correção pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O governo classifica a medida como excepcional, necessária para mitigar o elevado perfil de risco das empresas em momentos de alta do petróleo.
Medidas complementares de apoio ao setor
Além da nova linha, o governo federal já havia anunciado recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). O montante de R$ 7,5 bilhões foi destinado à reestruturação financeira das três grandes companhias do país: Azul, Gol e Latam, visando manter a conectividade aérea.
Outras estratégias incluem a isenção de tributos federais, como PIS e Cofins, sobre o querosene de aviação e a flexibilização no fluxo de caixa através da postergação de tarifas de navegação aérea, ajudando as empresas a aliviarem suas despesas correntes de curto prazo.
A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







