O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, causou polêmica durante um encontro reservado com diplomatas estrangeiros em Brasília. O parlamentar utilizou o espaço para levantar novas suspeitas sobre a segurança do processo eleitoral brasileiro.
Durante sua fala, ele associou a tecnologia nacional a supostas fraudes ocorridas na Venezuela, repetindo uma tática que gerou a inelegibilidade de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O discurso focou na desconfiança sobre o sistema atual.
O evento reuniu representantes de mais de 40 países e serviu como palco para declarações que foram prontamente contestadas por dados históricos da Justiça Eleitoral, conforme divulgado pelo portal Notícias ao Minuto Brasil.
Flávio Bolsonaro repete estratégia do pai sobre urnas eletrônicas
Diante de uma plateia composta por cerca de 80 pessoas, incluindo embaixadores dos Estados Unidos, China e Reino Unido, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem de equipamentos da empresa venezuelana Smartmatic.
A afirmação, no entanto, é falsa. A Justiça Eleitoral já esclareceu em diversas ocasiões que a Smartmatic nunca vendeu máquinas ou softwares de votação para o Brasil. A empresa apenas prestou serviços de suporte técnico e conectividade em anos anteriores.
Mesmo sem apresentar provas, o senador citou um suposto relatório da CIA sobre eleições na Venezuela para reforçar sua tese. Flávio Bolsonaro pediu que os diplomatas enviem o máximo de observadores internacionais para o pleito de 2026, buscando garantir a transparência.
Críticas às instituições e à Polícia Federal
Além de questionar o sistema de votação, o senador disparou críticas severas contra o Poder Judiciário e a Polícia Federal. Segundo ele, parte da corporação estaria aparelhada para realizar perseguições políticas contra opositores do atual governo.
Ele defendeu que seu pai é vítima de uma farsa judiciária e que está preso por manifestar preocupação com a segurança eleitoral. Flávio afirmou que, em um eventual governo seu, as instituições voltariam a focar em criminosos e não em adversários políticos.
Para os diplomatas presentes, o senador argumentou que a falta de segurança jurídica no Brasil afasta investidores estrangeiros. Ele usou a situação jurídica de Jair Bolsonaro como o principal exemplo do que chamou de perseguição do Supremo Tribunal Federal.
Planos econômicos e exploração em terras indígenas
No campo econômico, o senador prometeu acelerar licenciamentos ambientais e dar celeridade ao ambiente de negócios. Um dos pontos centrais de seu discurso foi a proposta de dar autonomia para que povos indígenas explorem minerais em suas terras.
Nosso governo vai respeitar o meio ambiente, mas vai tirar as riquezas que existem no subsolo ou no fundo do mar e distribuir essa riqueza para o povo brasileiro, afirmou Flávio, destacando que a vontade das comunidades deve ser respeitada.
Ele defendeu que, se houver desejo dos povos originários, o governo garantirá a segurança jurídica necessária para os investimentos em mineração. Essa agenda marca uma continuidade direta das propostas defendidas pelo clã Bolsonaro nos últimos anos.
Presença internacional e impacto diplomático
O encontro foi organizado pela Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, mas não foi aberto à imprensa. Entre os participantes, estavam representantes de nações como Irlanda, Áustria e diversas outras missões diplomáticas importantes.
Apesar da forte retórica política, alguns embaixadores relataram que a participação no evento não significou apoio às falas do senador. O clima geral foi de escuta, embora as declarações sobre as urnas eletrônicas tenham gerado desconforto por sua imprecisão técnica.
A reportagem buscou contato com a equipe de pré-campanha do senador para comentar as declarações e a repercussão do evento, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O episódio reforça a polarização que deve guiar o debate político até as próximas eleições.
A fonte original desta notícia é o portal Notícias ao Minuto Brasil e você pode conferir o texto completo em: Notícias ao Minuto.








