A crescente demanda por servidores voltados à inteligência artificial tem gerado uma escassez global de chips de memória. Esse desequilíbrio na oferta de componentes provoca uma alta nos preços de diversos eletrônicos, sendo os smartphones os itens mais afetados diretamente pelo custo elevado dessa tecnologia.

Diante desse cenário de inflação tecnológica, fabricantes passaram a adotar uma estratégia de ampliar o ciclo de vida dos seus produtos. Conforme divulgado pelo Estadão, a consultoria IDC projeta um recuo de 11,5% nas vendas globais de aparelhos em 2026, comparado a 2025.

O consumidor brasileiro já reflete essa mudança no comportamento de compra, optando por manter o celular por mais tempo. O prazo médio de troca, que era de um ano e meio antes da pandemia, subiu para aproximadamente três anos na atualidade.

Impacto direto no bolso do consumidor brasileiro

A analista da IDC, Camila Santos, aponta que o aumento nos custos de fabricação deve atingir as gôndolas a partir do segundo trimestre. Dispositivos de entrada, com preço em torno de R$ 1 mil, serão os mais impactados, com estimativas de alta entre R$ 200 e R$ 300.

Embora a previsão seja de queda no volume de unidades vendidas, o gasto total do setor deve subir 13,5%. Isso ocorre porque a escassez de memória prioriza o mercado de inteligência artificial, deixando menos chips disponíveis para a indústria de telefonia móvel.

Estratégias das fabricantes para fidelizar usuários

Para compensar o custo elevado, as empresas estão estendendo o suporte de software. A Samsung, por exemplo, aumentou o ciclo de vida de seus aparelhos topo de linha para sete anos. Segundo Renato Citrini, gerente sênior da marca, o objetivo é garantir que o usuário mantenha um dispositivo seguro e com novas funcionalidades por muito mais tempo.

A Apple também segue uma linha de suporte prolongado, com atualizações de segurança que ultrapassam, em alguns casos, a marca de uma década de vida útil do produto. Por outro lado, a Motorola mantém um ciclo de atualização de sistema focado em dois anos, buscando equilibrar segurança e desempenho.

Mercado de usados ganha força no Brasil

Com o encarecimento dos modelos novos, o mercado de aparelhos seminovos tornou-se uma alternativa estratégica. Dados da IDC indicam que o setor de revenda de celulares no Brasil deve crescer 4,5% este ano, impulsionado por empresas especializadas e programas de troca das próprias marcas.

Essa prática ajuda a reduzir o desperdício tecnológico e atende a uma demanda por soluções sustentáveis. Marcas como a recém-chegada Jovi, por exemplo, enxergam nessa reinserção de aparelhos no ciclo produtivo uma forma de manter a competitividade diante dos desafios da cadeia de suprimentos.

Previsão para o futuro do mercado de tecnologia

O mercado de smartphones atingiu um estágio de maturidade onde o crescimento de dois dígitos é visto como coisa do passado. As trocas, que antes ocorriam por impulso, agora são motivadas pela necessidade ou pela busca por recursos avançados, como câmeras potentes ou IA.

A previsão é de que a normalização na cadeia de fornecimento de componentes ocorra apenas em 2027. Até lá, o consumidor deve encarar preços mais altos e um uso mais prolongado de cada dispositivo. A fonte original é o Estadão.

You May Also Like
‘Falo que a IA é igual a um WhatsApp para que as pessoas não tenham medo’, diz Luiza Trajano no SPIW

Luiza Helena Trajano defende inteligência artificial e compara a tecnologia com o WhatsApp para reduzir medo durante o São Paulo Innovation Week

Empresária destacou a importância da humanização digital e o avanço do grupo Mulheres do Brasil em evento focado em inovação
China alerta que pode tomar ‘medidas necessárias’ caso EUA avancem com novas tarifas

China alerta que pode tomar ‘medidas necessárias’ caso EUA avancem com novas tarifas

O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quarta-feira, 25, que tomou…
Acordo Mercosul-UE é marco histórico, mas sucesso dependerá da execução, diz Tereza Cristina

Acordo Mercosul-UE é marco histórico, mas sucesso dependerá da execução, diz Tereza Cristina

Ursula von der Leyen e Lula celebram acordo UE-Mercosul 1:37 A presidente…
Fazenda propõe a Senado novas linhas de crédito para renegociação de dívidas rurais

PIB do Brasil surpreende e ministro projeta melhor ciclo econômico em 10 anos. Entenda!

Resultado do primeiro trimestre de 2026 confirma crescimento sustentado e aumento nos investimentos.