O mercado financeiro da Faria Lima está em alerta máximo após a descoberta de uma rede complexa de fundos de investimentos que operam sob intensa suspeita de irregularidades graves.

Diversas empresas novas surgiram para gerir ativos que já foram anteriormente alvo de investigações da Polícia Federal, levantando dúvidas sobre a real segurança dessas operações.

O esquema envolve desde instituições ligadas ao bispo Edir Macedo até empresas de sustentabilidade como a Ambipar, conforme divulgado pelo jornal Estadão em reportagem recente.

Como funciona a rede de fundos sob investigação judicial

A gestora Asarock Asset Management, composta por ex-executivos da antiga Reag, assumiu o controle de 50 fundos de investimento que trazem um histórico de polêmicas e processos na Justiça.

Muitos desses ativos são administrados pela ID CTVM, cujos donos são investigados por supostas fraudes que teriam ocorrido dentro do banco Digimais, gerando prejuízos vultosos ao sistema.

A investigação aponta que fundos foram usados para blindar empresas de dívidas ou mesmo simular movimentações para enganar o fisco, de acordo com documentos da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

O papel da ID CTVM e as fraudes no banco Digimais

Segundo a Polícia Federal, a ID CTVM teria utilizado fundos para maquiar perdas financeiras, comprando direitos de indenizações judiciais da Vale por valores que depois seriam inflados artificialmente.

Esses recebíveis foram adquiridos por 71 milhões de reais e reavaliados para 741 milhões, um valor sob forte suspeita de ser irreal para beneficiar os controladores do próprio banco na época.

O banco Digimais afirmou em nota que permanece à disposição das autoridades e reafirma seu compromisso com a transparência e a conformidade regulatória em todas as suas operações financeiras.

Fundos da Ambipar e a suspeita de balanços inflados

A Ambipar é acusada pelo Bradesco de utilizar o fundo Fênix para ocultar dívidas e apresentar um caixa disponível que não condiz com a realidade financeira da companhia no momento atual.

O banco afirma que mais da metade do caixa declarado pela empresa estava alocado nesse fundo, que investia em créditos de uma empresa de participações pertencente ao próprio controlador da Ambipar.

A ID CTVM declarou que o fundo Fênix já foi encerrado e que cumpriu todos os deveres regulatórios, enquanto a Ambipar não se manifestou sobre as acusações de maquiagem em seus balanços.

A polêmica assinatura de uma agente de viagens na Itália

Um detalhe que chama atenção é que dezenas de fundos da ID CTVM eram assinados por Antonella Giancolli, dona de uma agência de viagens na Itália, sem qualquer qualificação técnica para a função.

Em depoimento, ela admitiu que não administra a empresa de fato e que assinava os documentos apenas a pedido do seu irmão, José Roberto Giancoli Filho, um dos donos da administradora.

A empresa defende que o cargo exercido por Antonella foi aprovado pelos órgãos reguladores, como a CVM e o Banco Central, e que atualmente ela atua apenas como acionista de uma holding.

Justiça reconhece fraude em fundo ligado ao caso OAS

A rede também alcança o processo de falência da empreiteira OAS, onde a Justiça reconheceu fraudes no uso do fundo Zegama para transferir ativos relevantes e esvaziar o patrimônio da empresa devedora.

O desembargador do caso afirmou que houve uma promiscuidade societária, com a transferência de empresas deficitárias para grupos ligados à própria OAS, prejudicando diretamente os credores envolvidos.

A Asarock e os empresários citados negam formar um grupo econômico único e defendem a legalidade de todas as migrações de fundos, afirmando que seguem rigorosos padrões de governança do mercado.

A fonte original é a Estadão.

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