O Movimento B completou duas décadas de atuação global, promovendo um modelo de negócios onde o lucro caminha lado a lado com o impacto socioambiental positivo para o planeta e a sociedade.

No Brasil, a iniciativa ganhou força a partir de 2013, tornando-se um dos mercados mais relevantes para a organização internacional, que já conta com mais de 10 mil empresas em 104 países.

Em entrevista exclusiva, Cinthia Gherardi, co-CEO do Sistema B no Brasil, avalia o cenário atual das certificações e as mudanças de comportamento das corporações, conforme divulgado pelo Estadão.

O amadurecimento do mercado ESG no Brasil após o período de boom

A fase de extrema euforia em torno da sustentabilidade, vivida entre 2020 e 2022, deu lugar a um período de maior normalização. Segundo Cinthia Gherardi, o mercado agora busca empresas com maturidade real.

A executiva destaca que muitas companhias que buscaram o selo apenas por moda não conseguiram avançar. A certificação exige processos rigorosos de auditoria e uma governança corporativa que poucas possuem.

“Aquelas empresas que vieram no momento do boom do ESG, muitas delas não tinham ainda a estrutura de governança necessária para conseguir a certificação, então ficaram pelo caminho”, explica a especialista.

O pioneirismo das grandes empresas no Brasil

Diferente do cenário global, onde 85% das Empresas B são de pequeno porte, o Brasil se destacou por engajar gigantes do mercado. A Natura foi a primeira empresa de capital aberto a ser certificada.

Essa herança brasileira influenciou a comunicação e a transparência em escala internacional. “O Brasil, sem dúvida, foi o que puxou (esse movimento). Com isso, outras empresas também foram entrando”, afirma Cinthia.

Atualmente, o país conta com 338 empresas certificadas. Esse grupo é composto por negócios que utilizam o selo não apenas como marketing, mas como uma ferramenta estratégica de gestão e acesso a capital.

Desafios regulatórios e o impacto da CVM

O movimento encara desafios recentes, como a revogação pela CVM da obrigatoriedade de reportes financeiros sobre políticas verdes. A medida foi classificada pelo Movimento B como um retrocesso necessário de combater.

A transparência é vista como essencial para elevar o patamar das empresas brasileiras. Mesmo sem a obrigatoriedade, a recomendação é que as lideranças continuem publicando seus relatórios de impacto socioambiental.

Além disso, o cenário pós-COP-30 trouxe um esfriamento natural da pauta climática. O desafio atual é manter a ação ambiental no centro da estratégia de negócios, evitando que o tema seja apenas passageiro.

O futuro das certificações e as metas para 2026

Para os próximos anos, o Sistema B prepara mudanças significativas. Em 2026, novos padrões de certificação entrarão em vigor, focando em temas como direitos humanos e circularidade ambiental.

A meta no Brasil é expandir através de alianças com associações empresariais. O objetivo é alcançar números próximos aos do Reino Unido, que possui cerca de 2,5 mil empresas certificadas atualmente.

Cinthia reforça que o foco não é apenas certificar, mas transformar. “Não somos um movimento certificador, somos um movimento de transformação. A certificação é uma forma de isso acontecer”, conclui a co-CEO.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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