A economia da China, motor do crescimento global, está emitindo sinais de alerta que preocupam analistas e mercados internacionais. Pela primeira vez este ano, indicadores apontam que o país pode não atingir sua meta oficial.
Com o consumo interno estagnado e uma crise imobiliária que parece não ter fim, o gigante asiático enfrenta desafios que vão além de suas fronteiras. A situação levanta dúvidas sobre a estabilidade econômica mundial futura.
O cenário atual sugere que a recuperação pós-pandemia perdeu força, deixando as famílias chinesas em modo defensivo e o governo em uma posição delicada, conforme divulgado originalmente pelo Estadão.
Crescimento do PIB chinês perde tração e acende alerta global
Pela primeira vez em 2026, o rastreamento de crescimento do PIB chinês realizado pela consultoria BRCG indicou um número abaixo da meta oficial do governo, que varia entre 4,5% e 5%. Os dados atuais apontam para 4,4%.
A projeção para os próximos anos também é de queda, com estimativas de 4,3% a 4,2% para 2027. De acordo com Livio Ribeiro, sócio fundador da BRCG, existe uma preocupação real com a desaceleração acentuada da demanda na China.
Ribeiro destaca que, embora o país tenha diversificado seus parceiros após as tensões comerciais com os Estados Unidos, os problemas externos estão se acumulando. Conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio impactam os preços globais.
O consumo interno e o pessimismo das famílias
Dentro das fronteiras chinesas, a situação é igualmente desafiadora. O economista aponta que, após um início de ano forte, a trajetória a partir de abril tornou-se descendente, com dados de julho reforçando a fraqueza econômica.
As famílias chinesas adotaram uma postura defensiva, elevando a taxa de poupança para mais de 35% da renda disponível, o maior nível histórico. Isso significa que as pessoas estão com medo de gastar e preferem guardar dinheiro.
Além disso, o setor imobiliário, que já foi o pilar do crescimento, enfrenta uma queda de preços que já dura seis anos. Somado a isso, o desemprego entre jovens está em patamares críticos, aproximando-se de 18% atualmente.
A inércia do governo e os entraves financeiros
Uma das maiores interrogações para os especialistas é a falta de estímulos robustos por parte do governo de Pequim. Para Ribeiro, a economia chinesa está murchando, mas o governo persiste em não incentivar a demanda interna.
Existem hipóteses de que os líderes chineses tenham dificuldade em compreender problemas pelo lado do consumo. Outra possibilidade são as restrições institucionais, já que governos regionais estão com sérios problemas de caixa.
Sem recursos provenientes da venda de terras, que colapsou com a crise imobiliária, os governos locais não conseguem financiar novos projetos. Instrumentos de crédito oferecidos este ano tiveram adesão praticamente nula até o mês de agosto.
Riscos de uma instabilidade global maior
A desaceleração chinesa pode ser um fator de confusão em um ambiente global já conturbado por crises nos Estados Unidos e no Japão. A falta de fôlego da segunda maior economia do mundo gera incertezas em toda a cadeia produtiva.
Com a produção começando a ser afetada pela baixa demanda, o impacto nas commodities e nos fretes internacionais pode ser severo. O mundo observa atentamente se a China conseguirá reverter essa tendência ou se o declínio será persistente.
A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo, disponível em: https://www.estadao.com.br/economia/fernando-dantas/os-riscos-da-desaceleracao-chinesa/



