O cenário econômico brasileiro enfrenta um momento de alerta com as novas projeções sobre a dívida pública. Economistas consultados pelo Banco Central revisaram os prazos para um marco preocupante.
A expectativa é que o endividamento do país ultrapasse a riqueza total gerada, o Produto Interno Bruto (PIB), em um futuro próximo. O ritmo de gastos obrigatórios dificulta o equilíbrio das contas.
Essa trajetória acende o sinal vermelho para investidores e para o planejamento do governo federal nos próximos anos, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios para manter o arcabouço fiscal e controlar gastos
A dívida pública brasileira deve superar o tamanho da economia em um horizonte de oito anos, segundo projeções do Banco Central. O FMI é ainda mais pessimista e prevê que isso ocorra já em 2025.
Para o Fundo Monetário Internacional, a dívida chegará a 95,4% do PIB, incluindo títulos do Tesouro no Banco Central. O Brasil não possui as vantagens de países desenvolvidos, como moedas fortes e juros baixos.
Atualmente, quase 70% das despesas do governo federal crescem acima do limite estabelecido pelo arcabouço fiscal. Isso mostra a enorme dificuldade de revisar o teto sem medidas concretas de ajuste fiscal.
Projeções divergentes sobre o futuro da dívida
Economistas do mercado acreditam que a dívida bruta chegará a 100,1% do PIB em 2034. Antes, a previsão era para 2035. Em valores nominais, o endividamento pode saltar de R$ 11 trilhões para R$ 15 trilhões.
O governo federal é responsável por 96% desse montante. A desaceleração econômica impõe um desafio extra, pois a arrecadação perde força enquanto o Congresso resiste a aprovar novos aumentos de impostos.
Para estabilizar a trajetória, seria necessário um superávit primário superior a 3% do PIB. Isso representa uma sobra de aproximadamente R$ 400 bilhões nas contas públicas antes do pagamento de juros anuais.
O peso dos juros elevados nas contas públicas
O custo para carregar a dívida aumentou significativamente. No ano passado, a conta de juros superou R$ 1 trilhão pela primeira vez. Isso equivale a cerca de 8% de toda a produção nacional, o PIB.
Conforme explica o economista Carlos Kawall, “A política fiscal continua insustentável quando deveria estar muito mais austera do que antes. País que paga entre 8% e 9% do PIB ao ano em juros está mostrando dificuldade”.
A falta de um plano fiscal crível mantém os juros altos. A Selic elevada impacta diretamente 56,3% da dívida pública, gerando um ciclo de encarecimento que pressiona o orçamento de forma contínua e perigosa.
Dificuldades políticas para reformas estruturais
O principal entrave para o controle de gastos está na rigidez do orçamento. Áreas como saúde, educação e Previdência possuem aumentos automáticos vinculados à arrecadação ou ao salário mínimo nacional.
Alterar essa engrenagem exige mudanças na Constituição, o que demanda grande capital político no Congresso Nacional. Atualmente, poucos políticos parecem dispostos a defender medidas impopulares antes das eleições.
Para Luís Fernando Cezario, da Asset 1, o ajuste não precisa ser imediato. “Um ajuste estrutural da ordem de 3% do PIB, alguns economistas falam em até 4%, não será atingido em um ano, mas pode chegar lá em cinco anos”.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | Economia perde força e mercado antecipa previsão de dívida.





