O Brasil enfrenta um cenário econômico desafiador, com a dívida pública saltando de 73% para 83% do PIB no atual mandato do presidente Lula. Esse crescimento acelerado gera fortes incertezas no mercado.

Apesar dos números preocupantes, há uma perspectiva de que a gravidade da situação force um ajuste obrigatório no próximo governo. Essa é a visão de Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos.

O executivo detalha como o mercado financeiro está se protegendo da volatilidade e o que esperar da condução econômica após o pleito presidencial, conforme divulgado pelo Estadão.

O impacto do problema fiscal na economia brasileira

Segundo Mello, a situação está ficando tão ruim que a mudança será obrigatória, independentemente de quem seja o vencedor nas urnas. O problema fiscal tornou-se o centro das atenções de investidores e gestores.

O gestor, que lidera ativos de R$ 98 bilhões, explica que o mercado está em um momento, nas palavras dele, meio São Tomé. O setor aguarda medidas concretas de controle de gastos, e não apenas o aumento de impostos.

Para o CEO, o Brasil já está dez pontos acima da média de endividamento dos países emergentes. Ele afirma que, se a dívida continuar escalando, o investidor fatalmente passará a exigir taxas de juros cada vez maiores.

Cenário eleitoral e volatilidade do mercado

O executivo destaca que as eleições serão apertadas e o cenário atual é de muita incerteza. Por isso, a equipe da SulAmérica montou posições defensivas de curtíssimo prazo para proteger os recursos que gerencia.

“Nossas posições estão muito táticas, todas de curtíssimo prazo”, afirma Marcelo Mello. Ele ressalta que não espera mensagens claras sobre a condução da política fiscal durante o período de campanha eleitoral.

Mello acredita que os sinais emitidos até agora são ruins, citando medidas que aumentam gastos estruturais. A dúvida sobre o ajuste fiscal dificulta que o investidor se sinta confortável com ativos mais voláteis.

A necessidade de reformas estruturais urgentes

Para que a confiança volte ao mercado, o executivo defende medidas como a desvinculação do salário mínimo da aposentadoria ou uma nova reforma administrativa. Sem isso, o PIB e a dívida seguirão em rota perigosa.

Ele alerta que o espaço fiscal que existia em mandatos anteriores acabou. “O ponto positivo é que a gente está chegando no limite, o que sensibiliza o governo”, analisa o CEO sobre a necessidade de ação imediata.

Na visão de Mello, o mercado só verá um ponto de inflexão real se as medidas atacarem a estrutura dos gastos públicos. Sinalizações meramente arrecadatórias não devem ser suficientes para acalmar os investidores locais.

Oportunidades após o período de incertezas

Apesar do pessimismo atual, o executivo vê chances de ganhos relevantes logo após o segundo turno. Se o eleito sinalizar um ajuste real, os prêmios de juros altos podem se tornar excelentes oportunidades de investimento.

O longo prazo pode ser positivo caso ocorra uma queda na curva de juros. Isso estimularia investimentos em setores como infraestrutura, ações e crédito, tirando o foco exclusivo de produtos de renda fixa convencionais.

Ele conclui que, mesmo em um cenário de juros globais mais altos, o Brasil pode atrair capital se fizer o dever de casa. O mercado aguarda agora qual será a intensidade do ajuste prometido pelo próximo governo eleito.

A fonte original desta notícia é o Estadão, que realizou a entrevista exclusiva com o executivo sobre os rumos da economia nacional. Confira a matéria original em: Estadão | Entrevista Marcelo Mello

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