A gigante global do setor de criptomoedas Tether, criadora do dólar digital USDT, acionou o Poder Judiciário para cobrar uma dívida colossal de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O valor chega a US$ 300 milhões, aproximadamente R$ 1,5 bilhão na cotação atual.
A disputa judicial foi iniciada há cerca de duas semanas no Tribunal de Justiça de São Paulo. A empresa alega que o contrato de financiamento foi firmado em março do ano passado, conforme divulgado pelo Estadão.
O caso coloca luz sobre a gestão de Vorcaro, que atualmente encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, sob graves acusações de gestão fraudulenta e planejamento de atos violentos.
A crise financeira por trás da cobrança bilionária
A Tether Investments, braço de investimentos da emissora de stablecoins, afirma ter concedido o empréstimo de boa-fé. Segundo a companhia, os recursos vieram de lucros próprios e não possuem vínculo com as reservas da criptomoeda.
O vencimento da dívida estava atrelado a cláusulas contratuais de risco. A Tether ressalta que o rebaixamento da nota de crédito do Banco Master pela agência Fitch, em setembro passado, ativou o gatilho para o vencimento antecipado do empréstimo.
Venda frustrada e liquidação do banco
O cenário para a holding de Vorcaro se deteriorou com o fracasso da tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). A transação, barrada pelo Banco Central, era vista como uma tábua de salvação para a instituição.
Com a negativa das autoridades, o Banco Master acabou sendo liquidado em 18 de novembro de 2025. A Tether aponta que a liquidação também configurou um motivo para a cobrança imediata do montante, que subiu para R$ 1,6 bilhão com juros.
Consignados no centro da disputa judicial
Para garantir o empréstimo, o Master ofereceu operações de crédito consignado como garantia. Entre elas está o Credcesta, linha voltada a servidores e aposentados que é alvo de diversas reclamações e investigações sobre possíveis fraudes.
A Tether solicita agora o bloqueio de ativos financeiros das empresas devedoras, incluindo a Titan Holding e a Master Participações, visando recuperar o capital que, segundo analistas, pode estar com destino incerto em meio à delação premiada de Vorcaro.
Investigações e o futuro da Holding
Além da disputa civil, Vorcaro enfrenta um cerco rigoroso da Polícia Federal. Ele é investigado pela venda de R$ 12,2 bilhões em títulos de crédito considerados podres ao BRB, manobra que motivou sua primeira prisão em novembro.
A defesa do executivo não se manifestou sobre os pedidos da Tether. Enquanto isso, o processo judicial segue como um dos maiores embates financeiros envolvendo o grupo, que hoje vê sua estrutura ser desmembrada pela liquidação oficial.
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