A escalada dos preços do petróleo é o impacto produzido por outra escalada, a da guerra do Irã. Nesta quinta-feira, 19, as cotações chegaram a ultrapassar os US$ 119 por barril e só voltaram a ceder depois que os países ricos anunciaram a liberação de suas reservas.

Se Israel se dispôs a atacar o campo de gás de South Pars, um dos maiores do Irã, é porque não está interessado em conter a alta do petróleo e todos os seus desdobramentos para a economia mundial.

Isso mostra, também, que, ao respaldar o bombardeio produzido por Israel sobre a infraestrutura do petróleo da região, o presidente Trump não se limita a restringir os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz. Permite a escalada da guerra e o aprofundamento do choque da energia.

Destruição da infraestrutura do petróleo da região é de reparo mais difícil e mais demorado do que simplesmente o de reabrir o Estreito. Produz distorções mais prolongadas e mais dolorosas para a economia mundial.

É por isso que analistas mais pessimistas (ou mais realistas?), entre os quais Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, já admitem cotações para a altura dos US$ 200 por barril, até para depois de terminadas as hostilidades.

O que poderia terminar as hostilidades e começar a reverter a alta do petróleo? A queda do regime teocrático do Irã? A tomada militar do Estreito de Ormuz? A captura ou a inutilização dos suprimentos de urânio enriquecido estocados pelo Irã? Como saber?

O presidente Lula parece atarantado com o estrago que a alta global dos preços da energia vem provocando sobre a inflação, sobre a atividade econômica e sobre seu patrimônio eleitoral.

Viu que a intervenção decretada sobre os preços dos combustíveis no dia 12 não está sendo suficiente para reduzir a alta no varejo. E já deve ter percebido que a especulação com os preços não é tão perniciosa quanto poderá vir a ser o desabastecimento ou o desaparecimento do produto.

Além disso, a intervenção começa a ser contestada na Justiça, porque a criação do Imposto de Exportação de petróleo não respeitou o princípio constitucional da anualidade. Quarta-feira, Lula atribuiu as distorções à ação de “gente que não presta” e não à ineficácia de sua política.

Também na quarta-feira, Jerome Powell, presidente do Fed, banco central dos Estados Unidos, reconheceu que não sabe o que irá acontecer com a economia em consequência da crise, de onde se conclui que também não tem ideia de como terá de ser a política monetária do Fed.

É outro jeito de dizer que a guerra aumentou o espectro de incertezas, para as grandes economias e para a dos países em desenvolvimento. Isso é assim para a política econômica e para a tomada de decisão das empresas, que precisam conhecer o custo futuro do capital e a perspectiva de seus investimentos.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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