Produzir dinheiro físico gera resíduos que, até pouco tempo atrás, eram apenas custos para o governo. No entanto, uma nova abordagem de economia circular no Brasil está mudando esse cenário de forma impressionante.

Aparas de cédulas produzidas pela Casa da Moeda agora ganham vida nova. Em vez de serem incineradas, elas são transformadas em objetos úteis, como móveis de alto padrão e até materiais escolares para crianças.

Este processo não apenas reduz despesas públicas, mas também cria novas oportunidades de negócios para empresas privadas parceiras, conforme divulgado pelo Estadão.

Desafios e ganhos reais com o papel-moeda

Até o ano de 2022, a maior parte dos restos de papel da Casa da Moeda seguia para a incineração. Agora, o reaproveitamento de 200 toneladas anuais elimina custos logísticos e gera um impacto financeiro positivo de R$ 249 mil por ano.

Para as empresas parceiras, como a BP Security, os ganhos são ainda mais expressivos. O projeto permite uma operação com lucro líquido estimado em 34,8%, transformando o que era lixo em uma receita anual de mais de R$ 692 mil.

O segredo por trás do papel de segurança

O material usado nas cédulas é o chamado papel de segurança. Diferente do papel comum, ele possui fibras de algodão para ser mais resistente. Uma técnica patenteada permite recuperar essas fibras para criar novos produtos de baixo custo.

Segundo Alexandre Ambrozio Gilberti, diretor de Operações da BP Security, “Esse material que vem da Casa da Moeda é transformado em fibras alternativas de baixo custo. Nós conseguimos aumentar a velocidade da máquina de papel, diminuindo o custo de mão de obra e de energia”.

Dinheiro que vira móveis em escolas públicas

O Instituto Tran$forma utiliza essas aparas para fabricar mobiliário. Recentemente, a Escola do Futuro em São Roque, São Paulo, recebeu carteiras, armários e até mesas de pingue-pongue feitos com restos de papel-moeda descartados.

Patricio Malvezzi, CEO do instituto, destaca a durabilidade dessa nova aplicação: “Em circulação, no Brasil, a vida útil da cédula dura três anos e meio. Dentro do projeto, calculamos que pode durar cem anos, porque nós damos seguimento e tração a esse material”.

Benefícios para o meio ambiente e o futuro

Além do lucro, a sustentabilidade é um pilar central. O uso de fibras recuperadas reduz em até 92% as emissões de dióxido de carbono quando comparado ao uso de algodão virgem, preservando água e solo no processo produtivo.

O projeto agora planeja expandir a atuação para processar resíduos do Banco Central. O objetivo é transformar o passivo ambiental em lucro para os cofres públicos e fortalecer a economia verde no território nacional de forma definitiva.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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