O cenário do comércio global de alimentos vive uma transformação profunda, onde as tradicionais tarifas perdem espaço para as rígidas exigências ambientais. Agora, vender para o exterior exige mais do que qualidade e preço competitivo.

O Brasil, especialmente em regiões produtoras como o Pará, enfrenta o desafio urgente de se adaptar a normas que buscam reduzir o desmatamento e comprovar a origem sustentável de cada produto exportado para o mundo.

A mudança exige uma nova postura estratégica para garantir que o país não perca mercados valiosos para concorrentes globais, conforme divulgado pelo Estadão.

Sustentabilidade no agronegócio e os novos desafios globais

Durante décadas, o foco das exportações brasileiras estava concentrado em cotas, subsídios e tarifas. Hoje, a sustentabilidade no agronegócio tornou-se a nova fronteira regulatória e um critério essencial para investidores.

Barreiras verdes e o mercado europeu

A União Europeia tem liderado essa onda com mecanismos como o EUDR, regulamentação focada no combate ao desmatamento. Essa regra afeta diretamente cadeias como café, soja, carne bovina, cacau e madeira produzidos no Brasil.

Outra medida relevante é o CBAM, que busca ajustar o preço do carbono na fronteira. Embora o impacto inicial seja indireto, ele sinaliza que o custo ambiental será incorporado ao preço final de insumos, fertilizantes e logística.

O peso do compliance para o produtor

Para os pecuaristas e agricultores, o desafio vai além de produzir de forma correta. Agora, é necessário documentar, rastrear e auditar cada etapa para convencer o exigente comprador estrangeiro sobre a regularidade da produção.

Esses custos de compliance são expressivos, especialmente para cadeias longas com fornecedores indiretos. No comércio internacional, uma vírgula ou um conceito mal definido pode custar milhões em exportações perdidas para o setor.

SAF: O combustível do futuro e o agro

O combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF, surge como uma enorme oportunidade para a biomassa e o etanol. Contudo, barreiras técnicas e critérios de elegibilidade internacional ainda estão em disputa técnica e política.

Somente se o Brasil conseguir demonstrar eficiência, baixa emissão e produtividade é que o SAF se tornará uma vantagem real. O debate global definirá quem terá acesso a esse novo mercado bilionário nos próximos anos.

O papel do Brasil na criação de padrões

O país precisa deixar de apenas seguir regras externas e passar a formular padrões globais. Isso exige presença ativa em fóruns como o G20, a COP e a OMC para defender a viabilidade da agricultura tropical brasileira.

A descoordenação entre o governo e o setor privado ainda gera riscos desnecessários. Organizar a comunicação e antecipar tendências é vital para converter a sustentabilidade no agronegócio em uma verdadeira força competitiva mundial.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir o conteúdo completo no link original: Estadão | Sustentabilidade e a urgência da estratégia brasileira.

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