A gigante do setor petroquímico vive um momento decisivo em sua trajetória financeira. Recentemente, a companhia alertou que seu caixa pode ficar negativo em centenas de milhões de dólares até o fim deste ano.
Para evitar esse cenário desastroso, a empresa recorreu à Justiça com um pedido de tutela de urgência. O objetivo principal é congelar o pagamento de dívidas imediatas e ganhar fôlego para uma reestruturação profunda.
O movimento é visto como um passo estratégico que antecede a recuperação extrajudicial da Braskem, buscando proteger os ativos de pressões imediatas dos bancos, conforme divulgado pelo Estadão.
A estratégia da Braskem para evitar o caixa negativo em 2024
A Braskem informou que, sem a suspensão dos pagamentos, chegaria a dezembro com um saldo negativo de US$ 821 milhões. Com a proteção, a projeção muda para um caixa positivo de US$ 1,52 bilhão à disposição.
O pedido de tutela de urgência protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo funciona como um escudo protetor temporário de 60 dias para a petroquímica contra os seus credores.
Caso a medida seja aprovada, bancos e investidores ficam impedidos de cobrar judicialmente as parcelas da dívida ou de bloquear bens da empresa. Isso daria tempo para negociar os termos da recuperação extrajudicial.
Resistência dos credores e propostas insatisfatórias
Os detentores de dívidas externas criticaram duramente a postura da companhia. Eles classificaram os termos apresentados como totalmente insatisfatórios e se mostraram surpresos com a falta de seriedade nas negociações.
Segundo os credores, a inclusão de redução de juros é citada como “algo inédito em uma reestruturação de dívida corporativa” e “coloca em dúvida a seriedade com que a companhia tem abordado esse engajamento”.
A petroquímica propôs o adiamento de vencimentos por cinco anos, além do uso de juros capitalizados, conhecidos como Payment-in-Kind (PIK), o que foi prontamente rejeitado pelo comitê de representação dos investidores.
O papel da Petrobras e o rebaixamento no mercado
Os credores exigem que representantes da Petrobras participem diretamente das discussões de forma significativa. Eles buscam garantias da petroleira para apoiar qualquer plano de recuperação extrajudicial da Braskem.
Diante do cenário de incertezas, o banco Citi rebaixou a recomendação das ações da empresa para venda. O preço-alvo sofreu um corte drástico, passando de R$ 11,50 para apenas R$ 4,50 por papel no mercado financeiro.
Analistas apontam que a alta alavancagem, somada aos riscos do evento geológico em Alagoas, torna o cenário desafiador. A empresa encerrou o primeiro trimestre com uma dívida bruta de impressionantes US$ 9,4 bilhões.
Cenário operacional e desafios econômicos globais
A petroquímica enfrenta custos elevados de matéria-prima, como a nafta, e uma demanda enfraquecida em mercados importantes. Isso limita a capacidade da companhia de recuperar suas margens operacionais no curto prazo.
A volatilidade cambial e a baixa utilização das plantas industriais também agravam a situação. Para o mercado, uma reestruturação judicial ampla passa a ser vista como um desfecho realista para o futuro da organização.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







