A produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, foi marcada por um ambiente de trabalho hostil. O projeto reuniu uma equipe técnica majoritariamente progressista sob o comando de nomes ligados ao bolsonarismo e ao trumpismo.
O roteirista Mário Frias e o diretor Cyrus Nowrasteh lideraram o longa, gerando atritos constantes nos bastidores. A produção, que se tornou alvo de intensos debates, teve o financiamento de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, conforme divulgado pelo O Globo.
Essa polarização ideológica definiu o ritmo das filmagens, que foram descritas como tensas desde o início. A seguir, detalhes sobre a rotina de um dos sets mais polêmicos do cinema brasileiro recente e a influência dos bastidores na obra final.
Tensões ideológicas e restrições no set de filmagem
Desde o começo, ordens rígidas foram impostas aos trabalhadores do set de Dark Horse. Profissionais foram orientados a evitar roupas vermelhas ou qualquer símbolo que remetesse a movimentos sociais, como o MST, criando um ambiente de vigilância.
A resposta da equipe foi de resistência, especialmente quando lideranças do projeto começaram a exibir acessórios com bandeiras americanas e estampas de fuzis. Um membro da equipe afirmou: A gente concordava em não usar vermelho, mas pedimos que eles também não usassem aquilo.
Salários elevados em meio a dilemas morais
Muitos profissionais aceitaram integrar o projeto, apesar das divergências ideológicas, atraídos por cachês acima da média do mercado. Relatos indicam que a escolha causou angústia, com casos de funcionários que chegaram a perder outros contratos.
Uma integrante da equipe teria sido demitida de um projeto anterior após sua participação no filme ser descoberta. O desconforto era evidente no dia a dia, com relatos de pessoas chorando no set devido à pressão e à natureza do trabalho.
Luxo e orçamento milionário no projeto
O longa demonstrou, diariamente, sinais de um investimento exorbitante. Segundo informações, ao menos R$ 62 milhões de Daniel Vorcaro teriam sido destinados ao projeto, garantindo uma estrutura de filmagem rara no Brasil.
Com dez semanas de duração, as gravações transcorriam com calma excessiva, utilizando apenas três páginas de roteiro por dia. O uso de dezenas de figurantes e equipamentos sofisticados reforçava a percepção de que era dinheiro para todo lado.
A comemoração no dia da prisão de Bolsonaro
Um dos momentos mais emblemáticos ocorreu em 22 de novembro de 2025, data da prisão de Jair Bolsonaro. Coincidentemente, o dia marcou a celebração do centésimo cartão de memória do filme, evento tradicionalmente comemorado com champanhe.
Enquanto os líderes bolsonaristas lamentavam a notícia da prisão de forma discreta, grande parte da equipe técnica aproveitou o momento festivo para celebrar abertamente. O contraste nas reações refletiu a divisão profunda que permeou o projeto.
A fonte original é a Notícias ao Minuto Brasil e você pode conferir a matéria na íntegra através deste link: Notícias ao Minuto Brasil.








