A possibilidade de um Super El Niño atingir o Brasil nos próximos meses ligou o sinal de alerta para o agronegócio. O fenômeno tem o potencial de desequilibrar as safras e gerar prejuízos bilionários.
Especialistas indicam que a preparação do solo e a escolha das variedades corretas de sementes são fundamentais para reduzir os danos. No entanto, o setor ainda enfrenta dificuldades para se adaptar ao novo clima.
O cenário atual exige uma resposta rápida dos produtores e do poder público para garantir a segurança alimentar e econômica do país, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto devastador do Super El Niño na agricultura brasileira
A eventual confirmação de um El Niño de forte intensidade pode impor novos desafios à agricultura brasileira, justamente em um momento em que o setor convive com dívidas e alta de custos.
Segundo Eduardo Assad, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o fenômeno pode reduzir em até 10% a produção nacional de grãos. Isso representa cerca de 32 milhões de toneladas perdidas.
O especialista alerta que o El Niño já está instalado e a probabilidade de ele ser forte ou superforte ultrapassa os 90%. O que define essa força é a temperatura das águas do Oceano Pacífico.
Riscos reais para a produção de grãos
Na safra 2025/26, o potencial de perda é gigante. Assad destaca que o Brasil não pode se dar ao luxo de perder tanto volume em um momento de incertezas econômicas e endividamento do produtor.
Ele recorda que em episódios anteriores, as perdas foram severas no Norte, Nordeste e Sudeste, enquanto o Sul sofreu com o excesso de chuvas. O aumento da área plantada não deve compensar esses danos.
“Se esse novo El Niño vier com a intensidade que os modelos estão prevendo, podemos voltar a perder até 10% da produção de grãos”, afirma o pesquisador de forma categórica sobre o futuro próximo.
A urgência da adaptação tecnológica
Embora existam tecnologias para enfrentar extremos climáticos há décadas, a adoção é lenta. Práticas sustentáveis podem reduzir a perda de 25% para 15%, o que faz uma diferença enorme no fechamento das contas.
As soluções incluem o aprofundamento do sistema radicular das plantas e o uso de plantio direto. Manter a cobertura permanente do solo e utilizar a integração lavoura, pecuária e floresta são caminhos essenciais.
O pesquisador questiona a estratégia de usar cultivares superprecoces. “Você quer perder a safrinha ou quer perder a fazenda?”, indaga Assad, sugerindo o uso de variedades de ciclo médio, que são mais resilientes.
Políticas públicas e o Código Florestal
Para Assad, o seguro rural precisa ser visto como investimento e não como gasto fiscal. A proteção financeira é o que mantém o produtor no campo após um desastre climático severo e inevitável.
Além disso, a implementação do Código Florestal é vital. A vegetação nativa ajuda a manter as chuvas e equilibrar as temperaturas, protegendo o próprio sistema produtivo de ondas de calor intensas.
“O Código Florestal existe para minimizar esses efeitos, e não para atrapalhar o produtor”, explica ele. A preservação de nascentes e matas ciliares é, na verdade, uma ferramenta de sobrevivência para o agronegócio.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







