O destino de Angra 3, um dos projetos de infraestrutura mais antigos do Brasil, enfrenta novos obstáculos. A usina, que simboliza a ambição nuclear, segue no centro de um complexo jogo financeiro.
A principal dificuldade atual envolve a reestruturação da Eletronuclear, estatal responsável pelas obras. O impasse com credores e a troca de controle acionário criaram um limbo que impede o progresso.
Com prejuízos bilionários acumulados pela demora, a pressão agora vem de órgãos federais de controle, que exigem uma definição sobre a retomada das atividades, conforme divulgado pelo Estadão.
O impasse financeiro da Eletronuclear e o futuro de Angra 3
A principal trava para a decisão sobre Angra 3 dentro do governo está no desdobramento da mudança acionária da Eletronuclear. O trâmite envolve a saída da Axia Energia e a entrada da Âmbar Energia.
Entretanto, a discussão com os credores da dívida da estatal segue sem solução. As empresas credoras precisam aceitar as contrapartidas oferecidas para o equacionamento do débito, algo que ainda não tem prazo definido.
A autonomia do governo diante do contrato
Caso a União tome uma decisão sobre a retomada da usina sem resolver o impasse, o novo parceiro acionista fica desobrigado em relação ao projeto. A tendência, contudo, segue sendo a continuidade da obra.
Segundo uma fonte de alto escalão, o governo estuda tomar uma decisão independente desse processo. O acordo firmado entre a Eletrobras e a União foi validado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final de 2025.
O ultimato do TCU para a usina nuclear
O Tribunal de Contas da União (TCU) obrigou o governo a decidir o futuro de Angra 3 em até 240 dias. A Corte já apontou prejuízos graves com a demora e fez duras críticas pela indefinição federal.
Para defensores do projeto, há comando legal para a continuidade. Uma lei de 2021 prevê que o Conselho Nacional de Política Energética autorize a outorga para a exploração da usina termelétrica nuclear.
Investimentos bilionários e obras inacabadas
Entre 2024 e 2026, a indefinição gerou gastos de R$ 2,5 bilhões para a Eletronuclear. A estatal registrou prejuízo líquido de R$ 142 milhões em 2025, com dívida superior a R$ 7,25 bilhões.
Iniciada em 1981, a obra tem 65% de execução. O término exigirá R$ 23 bilhões em investimentos, incluindo financiamento, compra de equipamentos e serviços de engenharia, segundo estudos do BNDES.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa clicando aqui: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







