O Brasil está prestes a entrar em um mercado gigante e pouco explorado pelo país até agora. O Tesouro Nacional finaliza os preparativos para a primeira emissão de títulos de dívida em solo chinês.

A operação envolve os chamados Panda Bonds, que são papéis de dívida emitidos em yuans por entidades estrangeiras na China continental. O movimento marca uma mudança estratégica na economia nacional.

A expectativa é que a captação ocorra ainda no final de outubro, logo após o segundo turno das eleições, conforme divulgado pelo Estadão.

Entenda a estratégia por trás dos Panda Bonds e o impacto para o Brasil

A emissão brasileira pode alcançar o montante de 5 bilhões de yuans, o que representa cerca de R$ 3,76 bilhões na cotação atual. O governo vem realizando reuniões constantes com investidores do continente asiático.

Para viabilizar o negócio, o Tesouro Nacional conta com o apoio técnico do Bank of China, que atua como um dos assessores. O planejamento já dura meses, com os primeiros passos burocráticos iniciados ainda em julho.

A busca por investidores asiáticos e diversificação

O principal objetivo desta captação, além de obter recursos, é estreitar laços com o mercado asiático. Tradicionalmente, o Brasil concentra suas emissões de dívida externa nos Estados Unidos e na Europa.

Ao acessar os Panda Bonds, o país busca diversificar sua base de credores e diminuir a dependência exclusiva do dólar e do euro. Em abril deste ano, por exemplo, o governo captou 5 bilhões de euros no mercado europeu.

Referência para empresas como Vale e Suzano

A entrada do governo brasileiro nesse mercado serve como um termômetro para o setor privado. A emissão do Tesouro ajuda a definir taxas de juros e custos para companhias nacionais que desejam captar na China.

A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, já demonstrou interesse e solicitou registro para um programa de títulos de até 10 bilhões de yuans. A empresa segue os passos de outras gigantes brasileiras no exterior.

Vale lembrar que a Suzano foi pioneira entre as empresas não financeiras das Américas, captando 2,6 bilhões de yuans em 2024. Atualmente, o mercado de títulos chinês registra um crescimento expressivo de 30% ao ano.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo: https://www.estadao.com.br/economia/coluna-da-broad/brasil-deve-estrear-no-mercado-de-divida-da-china-neste-mes/

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