O cenário político brasileiro esquenta com a proximidade do segundo turno das eleições, colocando frente a frente propostas que prometem impactar diretamente o bolso do cidadão e a saúde das contas públicas.
De um lado, promessas de alívio de dívidas e subsídios, do outro, isenções tributárias e passes livres, em uma corrida onde o equilíbrio fiscal parece ter ficado em segundo plano para atrair o eleitorado.
A análise das plataformas econômicas revela um caminho de incertezas para o próximo mandato, independentemente de quem saia vitorioso nas urnas, conforme divulgado pelo Estadão.
O desafio do ajuste fiscal e as promessas dos candidatos
As propostas de Flávio Bolsonaro e o mercado
À medida que o segundo turno se aproxima, a narrativa fiscalista em torno de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro perde força. O candidato do PL evitou tocar no problema central do desequilíbrio fiscal brasileiro.
O senador se comprometeu a manter a indexação de benefícios previdenciários ao salário mínimo com aumento real. No debate da Band, Flávio afirmou que não vai desindexar e que dará aumentos reais ao mínimo.
Além disso, ele prometeu um programa de alívio de dívidas onde as famílias teriam seus débitos congeladas por seis meses. Segundo ele, a queda dos juros abriria mais de R$ 200 bilhões no Orçamento nacional.
O retorno do Perse e a política de subsídios
Outro ponto polêmico é a promessa de ressuscitar o Perse, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos. Esse projeto zerava impostos como IRPJ, CSLL, PIS e Cofins para empresas do setor de turismo.
O Perse é citado como um exemplo da danosa economia de subsídios no Brasil, tendo custado R$ 17 bilhões apenas em 2023. A gestão de Fernando Haddad na Fazenda havia conseguido extinguir o programa em abril de 2025.
Quanto ao ajuste das contas, Flávio mantém um discurso vago focado no combate à corrupção. Especialistas apontam que essa abordagem não resolve os problemas estruturais que o país enfrenta atualmente.
As estratégias de Lula para o eleitorado
Do outro lado, Lula já entregou medidas populares, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o programa Desenrola. Também houve reajustes no Bolsa Família pouco antes do primeiro turno.
O atual presidente promete ainda mais, incluindo o perdão de R$ 12,7 bilhões em dívidas de MEIs. Outra cartada é o ônibus grátis nos fins de semana em todo o País, que custaria cerca de R$ 11,8 bilhões por ano.
Tais medidas são vistas com cautela, pois não possuem uma fonte de financiamento definida. Isso aumenta o temor de que a polarização esteja piorando uma economia política que já apresentava sinais de fragilidade.
Reforma tributária e incertezas futuras
Na área tributária, os sinais também preocupam. Flávio Bolsonaro, que votou contra a reforma tributária na CCJ, afirma que pretende rever a alíquota do IVA e buscar reduzir a carga tributária total do país.
Sua equipe econômica fala em uma pausa na implementação da reforma e no fim do split payment. Essa ferramenta é considerada essencial para evitar a sonegação e garantir que a alíquota final seja menor.
Seja qual for o resultado no domingo, o Brasil parece caminhar para uma encruzilhada perversa. O país pode enfrentar um gigantesco estelionato eleitoral ou o aprofundamento severo da crise fiscal nos próximos anos.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir o conteúdo completo no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







