O compromisso das empresas com a pauta de diversidade e inclusão está enfrentando um retrocesso silencioso, mas significativo, no Brasil, especialmente quando se trata da relação com seus fornecedores diretos.

Embora as marcas continuem afirmando publicamente que valorizam a equidade, os dados mostram que essas exigências estão desaparecendo dos contratos formais de prestação de serviços e parcerias comerciais.

Esse distanciamento entre o que é dito e o que é assinado coloca em xeque a evolução das práticas sociais no mercado corporativo brasileiro, conforme divulgado pelo Estadão.

Retrocesso na diversidade e inclusão impacta negociações comerciais no Brasil

Segundo a Pesquisa Ethos de Diversidade, Equidade e Inclusão 2025, 2026, a exigência contratual de não discriminação despencou de 95,42% para 67,42% entre as empresas que participaram dos últimos levantamentos.

Além disso, a capacitação de fornecedores em princípios de igualdade caiu pela metade, passando de 67,42% para 34,85%, evidenciando que o tema está perdendo força na cadeia de suprimentos das grandes organizações.

A falta de indicadores prejudica a gestão corporativa

Um dos maiores entraves para a evolução da agenda é a ausência de dados concretos. Apenas 26,21% das companhias registram informações sobre as políticas de diversidade e inclusão de seus fornecedores atuais.

Ana Lúcia Melo, do Instituto Ethos, alerta que o registro é essencial para conhecer a realidade dos parceiros. Segundo ela, “aquilo que não é conhecido, acompanhado e analisado dificilmente consegue ser gerenciado de forma consistente”.

Integrando a equidade aos processos de negócio

A especialista defende que a mudança exige que a pauta deixe de ser exclusividade do setor de recursos humanos. É necessário integrar critérios de equidade diretamente nos processos de compra e homologação de parceiros.

Isso significa estabelecer metas claras, cláusulas de acessibilidade e o acompanhamento constante de dados, garantindo que as decisões de negócio enfrentem desigualdades em vez de apenas reproduzir discursos prontos.

O papel da liderança na transformação do mercado

Para o Instituto Ethos, a liderança deve reconhecer que a cadeia de valor expressa as escolhas da empresa. A diversidade precisa transbordar os limites internos para gerar um impacto real em toda a sociedade brasileira.

“A diversidade não se realiza apenas dentro dos muros da empresa. Ela também precisa estar presente nas relações que a empresa estabelece com o mercado”, conclui Ana Lúcia Melo sobre a importância dessa consistência.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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