O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra as instituições financeiras ao abordar o endividamento dos brasileiros. Em uma conversa franca, ele classificou as taxas atuais como inaceitáveis para a população.
A proposta central envolve uma parceria com o Banco Central para frear a oferta desenfreada de crédito. Lula defende que o excesso de cartões disponíveis no mercado é um dos principais vilões das finanças das famílias.
Além das críticas, o governo prepara novas medidas de socorro financeiro para quem está com o nome sujo. As informações foram apresentadas durante uma entrevista ao Flow Podcast, conforme divulgado pelo Estadão.
Lula critica juros do cartão de crédito e planeja novas restrições para os bancos
A proposta de limitar cartões por CPF
Durante a entrevista, o presidente criticou duramente a facilidade com que os bancos oferecem crédito. Para ele, a distribuição desenfreada de cartões contribui diretamente para o endividamento das famílias.
Lula afirmou que o tema já está em debate com a autoridade monetária. “Nós estamos discutindo com o Banco Central. Nós vamos proibir os bancos de darem mais de um cartão de crédito para as pessoas”, declarou o presidente.
Segundo ele, a prática atual é abusiva, pois as instituições enviam os cartões sem que o cliente peça. “É um crime. Os bancos hoje distribuem cartão de crédito sem saber se você quer. Eles mandam para você”, afirmou.
Juros do rotativo na mira do governo
Outro ponto central da crítica foram as taxas cobradas no cartão de crédito. O presidente classificou os valores como abusivos, citando que o povo chega a pagar taxas que variam entre 493% e 500% ao ano no crédito rotativo.
Dados oficiais do Banco Central mostram que a taxa média chegou a 449,4% em agosto. Essa modalidade é considerada uma das mais caras do sistema financeiro, gerando um ciclo de dívidas difícil de ser quebrado pelo consumidor.
O presidente reforçou que algo precisa ser feito com urgência para mudar esse cenário. Ele exige que medidas sejam tomadas agora para proteger o poder de compra e a saúde financeira dos brasileiros mais vulneráveis.
O lançamento do programa Desenrola 3.0
Para aliviar a situação de quem já está inadimplente, Lula anunciou uma nova fase do programa de renegociação. O Desenrola 3.0 prevê a compra de dívidas antigas com descontos, custando cerca de R$ 15 bilhões aos cofres públicos.
As fases anteriores do programa já alcançaram números expressivos. Segundo o governo, cerca de R$ 53 bilhões em dívidas foram renegociados, atendendo aproximadamente 15 milhões de pessoas em diferentes faixas de renda.
A nova etapa foca em ampliar esse alcance, tentando reduzir o impacto das dívidas que se acumularam ao longo dos anos. O objetivo é limpar o nome de mais brasileiros e permitir que eles voltem ao mercado de consumo.
Recordes de endividamento no Brasil
Apesar dos esforços do governo, os números de inadimplência ainda preocupam. Dados do Banco Central indicam que o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu 28,85% em junho, um patamar muito elevado.
O cenário fica ainda mais alarmante quando se observa que 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho. Esse é o maior índice registrado desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 2010.
A inadimplência no crédito livre para pessoas físicas também bateu recorde, chegando a 7,8%. Esses indicadores reforçam a necessidade de medidas mais rígidas para controlar a oferta de crédito e os juros no país.
A fonte original é o Estadão.







