O governo de Donald Trump apresentou uma proposta polêmica ao Brasil em outubro de 2025, vinculando a redução de tarifas de importação à compra obrigatória de aviões da Boeing.
O acordo buscava forçar companhias aéreas brasileiras a adquirir modelos americanos, em um momento de tensões comerciais provocadas por um tarifaço de 50 por cento imposto pelos EUA.
Além de aviões, o texto incluía pedidos sobre a exploração de minerais e exigências políticas diretas sobre o processo eleitoral brasileiro, conforme divulgado pelo Estadão.
As exigências de Trump para o setor aéreo brasileiro
O rascunho da declaração conjunta sugeria que empresas como Gol e Latam deveriam anunciar a intenção de comprar uma quantidade específica de jatos, preenchendo lacunas de negociação.
“Companhias aéreas brasileiras comprometeram-se a adquirir aeronaves comerciais fabricadas nos EUA, incluindo anúncios de intenção de comprar [xx] aeronaves Boeing”, dizia o documento confidencial.
O Itamaraty não comentou oficialmente, enquanto a Boeing e o Departamento de Estado americano também não se manifestaram sobre os termos discutidos em reuniões fechadas em Washington.
Condições políticas e comerciais em jogo
O chanceler brasileiro descartou as condições de imediato, especialmente por incluírem demandas sobre as eleições de 2026 e a participação de dissidentes políticos no pleito nacional.
O governo americano também condicionou o acesso a minerais críticos e exigiu a abertura total de diversos setores industriais, algo visto como uma afronta à soberania por diplomatas brasileiros.
Documentos internos mostram que o Brasil chegou a projetar uma meta de compras que envolvia 90 aviões, mas as negociações travaram devido ao caráter assimétrico das imposições americanas.
Pressão sobre jatos executivos e etanol
Em 2026, novas pressões surgiram para que o Brasil removesse barreiras à venda de jatos executivos, enquanto o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, expressava sua insatisfação.
“Estou desapontado por não termos avançado mais, apesar de nossas numerosas interações”, afirmou Greer em carta, citando também as elevadas tarifas brasileiras sobre o etanol americano.
O negociador destacou que a política comercial dos Estados Unidos não mudaria sem um aumento significativo do acesso ao mercado e das proteções para as empresas americanas no território nacional.
O impasse diplomático no G-20
Atualmente, o Brasil enfrenta novas sobretaxas aplicadas sob justificativas de práticas comerciais desleais, mantendo o clima de incerteza para exportadores e para o setor industrial.
Representantes dos dois países devem se reunir novamente durante a cúpula do G-20 para tentar destravar a pauta comercial e buscar uma solução para as barreiras impostas por Washington.
O governo Lula tenta equilibrar o apoio à Embraer com a necessidade de manter relações estáveis com os EUA, que continuam sendo um dos principais parceiros comerciais do País atualmente.
A fonte original deste conteúdo é o Estadão, que detalhou os bastidores das pressões americanas sobre a aviação e a política do Brasil. Link original: https://www.estadao.com.br/economia/negocios/governo-trump-exigiu-do-pais-compra-de-avioes-da-boeing-para-voos-comerciais-para-negociar-tarifaco/




