O Brasil deu um passo decisivo para se tornar um gigante na infraestrutura digital global. O Congresso aprovou o Redata, um novo regime tributário focado em atrair investimentos bilionários para o país.
A medida busca facilitar a criação de data centers, as usinas de dados que sustentam o avanço da inteligência artificial em todo o planeta, reduzindo impostos de importação e aquisição.
O país pretende usar sua matriz de energia limpa para vencer a concorrência internacional e exportar processamento digital de ponta, conforme divulgado pelo Estadão.
A nova era da infraestrutura digital brasileira com o Redata
O programa Redata tenta corrigir uma desvantagem histórica do Brasil, o custo elevado de implantação de tecnologia. Como a maior parte dos equipamentos é importada, a carga tributária era um obstáculo proibitivo.
Com a aprovação, haverá suspensão de tributos federais sobre o maquinário. Em contrapartida, as empresas devem reservar ao menos 10% da capacidade ao mercado brasileiro e investir 2% das aquisições em inovação local.
O trunfo da energia renovável na disputa global
Para as gigantes da tecnologia, o Brasil oferece algo raro, energia barata e sustentável. Estima-se que, em 2025, 86,8% da eletricidade brasileira terá origem em fontes renováveis, um diferencial decisivo para metas climáticas.
Contudo, esses centros de dados são consumidores eletrointensivos e exigem operação ininterrupta. Isso demandará investimentos pesados na estabilidade do Sistema Interligado Nacional para evitar falhas de transmissão de energia.
Os desafios do consumo de água e infraestrutura
Além da eletricidade, os data centers precisam de resfriamento constante. O Redata exige um índice de eficiência hídrica rigoroso, de no máximo 0,05 litro por kWh, para evitar a exaustão de bacias hídricas locais.
A experiência internacional serve de alerta, nos Estados Unidos, comunidades já barram novos projetos por medo do encarecimento das tarifas residenciais e da falta de água, o que exige cautela regulatória no Brasil.
Exportação de dados e o futuro do emprego
Uma oportunidade estratégica é a exportação de capacidade computacional através das Zonas de Processamento de Exportação, como a do Pecém. O Brasil passaria a exportar processamento em gigabytes em vez de apenas commodities.
Sobre o mercado de trabalho, é preciso ancorar as expectativas. Segundo especialistas, “não haverá empregos tecnológicos massivos nestes projetos: data centers são estruturas intensivas em capital e altamente automatizadas”.
O ganho real virá do ecossistema de software e segurança cibernética que será fomentado ao redor dessas estruturas. O desafio atual é transformar esses incentivos fiscais em um polo de atração para a nova economia digital.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo




