O cenário do financiamento agrícola no Brasil está passando por uma transformação significativa, com novas empresas buscando alternativas para facilitar o acesso ao capital para pequenos e médios produtores rurais.
Uma dessas instituições, a Plantae Agrocrédito, está redefinindo sua estratégia para alcançar metas ambiciosas nos próximos anos, focando especialmente na cultura da cana-de-açúcar e em garantias contratuais.
Com planos de movimentar centenas de milhões de reais, a empresa aposta em inovação financeira e parcerias estratégicas com o setor industrial, conforme divulgado pelo Estadão.
Novas estratégias para o crédito rural e o foco na cana-de-açúcar
Expansão da Plantae Agrocrédito e garantias sem terra
A Plantae Agrocrédito projeta emprestar cerca de R$ 500 milhões em 2026, superando a meta traçada para o próximo ano. O foco mudou para a cana-de-açúcar, que hoje representa grande parte da carteira.
Diferente do modelo tradicional, a empresa não exige a propriedade rural como garantia. Em vez disso, utiliza contratos de venda e parceria com agroindústrias, beneficiando pequenos produtores que possuem contratos firmados.
“A gente não quer terra em garantia”, afirma Henrique Schardong, diretor comercial da instituição. Atualmente, mais de 95% das operações seguem esse modelo, contando com o apoio de mais de 50 parceiros do setor.
Mercado de capitais e o novo Fiagro no radar
Para sustentar esse crescimento acelerado, a instituição estrutura uma operação de até R$ 100 milhões no mercado de capitais. A expectativa é que esse movimento ocorra ainda este ano, provavelmente via Fiagro.
Atualmente, a principal fonte de recursos são as captações via LCA e CDB, mas a nova estrutura financeira deve acelerar a expansão das operações e permitir o atendimento de uma demanda cada vez maior no campo.
O volume final da captação dependerá de negociações em curso. A empresa busca diversificar suas fontes de financiamento para garantir que o crédito chegue de forma eficiente ao produtor que precisa investir na safra.
Cartão de crédito para produtores e o produto Consignagro
Uma das grandes novidades é o desenvolvimento de um cartão de crédito voltado para o Consignagro. Esse produto antecipa recursos de contratos de arrendamento de uma só vez para o produtor rural interessado.
O limite desse cartão será calculado com base nos pagamentos futuros que o cliente tem a receber. Schardong explica que um arrendamento de R$ 10 mil mensais pode gerar um limite superior a R$ 100 mil no novo cartão.
Os gastos realizados no cartão poderão ser convertidos em financiamento com a própria instituição, facilitando o fluxo de caixa do produtor que precisa gerir despesas imediatas enquanto aguarda os recebimentos futuros.
Alerta de inadimplência e desafios tecnológicos no campo
Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios como a inadimplência recorde, que atingiu 8,8% em julho. Agentes financeiros estão preocupados com o baixo interesse de alguns produtores em renegociar suas dívidas pendentes.
Além disso, o combate a pragas como os nematoides segue como prioridade. A Basf investe cerca de € 1 bilhão anual em pesquisa e desenvolvimento para criar soluções que protejam as culturas de soja, milho e algodão.
O mercado de conteúdo digital para o agro também cresceu 40% em plataformas como a Hotmart, movimentando milhões com cursos de gestão rural e pecuária, mostrando que o produtor busca cada vez mais especialização técnica.
A fonte original desta notícia é o Estadão, que pode ser lido na íntegra através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo




