A revolução no mercado imobiliário brasileiro está sendo liderada por um gigante conhecido, o programa Minha Casa, Minha Vida, que deixou de ser apenas uma política social para se tornar o motor principal das construtoras.
Novos empresários estão aproveitando as mudanças no Plano Diretor e os incentivos governamentais para erguer prédios em áreas centrais, transformando a lógica de moradia e investimento nas grandes metrópoles nacionais.
Essa transformação bilionária atrai desde pequenas empresas até gigantes do setor, movimentando recursos recordes do FGTS e criando alternativas inovadoras de crédito, conforme divulgado pelo Estadão.
O avanço do Minha Casa, Minha Vida e o surgimento das novas potências imobiliárias
Da periferia para o centro das grandes cidades
Em 2016, o empresário Romeu Braga Neto decidiu investir em um terreno na Liberdade, em São Paulo. O projeto, que muitos consideravam arriscado, aproveitava os incentivos de verticalização da área central da capital paulista.
“Era uma rua que ninguém queria, perto do Glicério”, lembra Neto. Ele utilizou as regras da Zona Especial de Interesse Social para construir o All Liberdade, um prédio com 254 unidades compactas e sem nenhuma vaga de garagem.
“Na época me chamavam de louco, mas para mim era lógico. Um prédio a duas quadras do metrô, em um bairro central. Não precisava da vaga”, comenta Neto. Hoje, sua empresa, a REV 3, já soma R$ 1,5 bilhão em vendas.
O programa que virou o próprio mercado
O cenário mudou drasticamente com a retomada do programa em 2023. O economista Carlos Honorato, da FIA Business School, observa que “o programa deixou de ser periferia do mercado para virar o próprio mercado”, devido aos novos tetos.
Com o reajuste das faixas de renda para até R$ 8 mil mensais e o valor máximo do imóvel chegando a R$ 350 mil, as incorporadoras de médio e alto padrão também decidiram entrar no segmento popular para garantir rentabilidade.
“A partir do quarto trimestre de 2023 e o início de 2024, a participação do programa nas vendas totais do setor deu um salto visível”, afirma Honorato. Atualmente, o Minha Casa, Minha Vida domina a maior parte dos lançamentos.
Inovação no financiamento e uso do FGTS
O financiamento via FGTS é a base desse crescimento. Em 2025, o fundo respondeu por cerca de R$ 138 bilhões em novos créditos. Filipe Pontual, da Abecip, alerta que o sistema opera no limite da capacidade de captação atual.
“O FGTS já opera no limite da sua capacidade de captação, e essa captação depende diretamente da geração de novos empregos formais”, explica Pontual. O modelo de repasse na planta reduz o risco comercial para as incorporadoras.
Empresas como a Lumy Incorporadora inovaram ao criar Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para captar recursos. O objetivo é garantir liquidez para os projetos antes mesmo do repasse oficial feito pela Caixa.
Concorrência acirrada e expansão nacional
Grandes nomes como Cyrela, por meio da marca Vivaz, e a Canopus estão expandindo sua atuação. A Canopus projeta lançar R$ 2,43 bilhões este ano, focando nas faixas onde a demanda por moradia própria é mais estável e previsível.
Incorporadoras como a Holos, focada na Zona Leste de São Paulo, também crescem rapidamente. “A Holos nasceu pautada no programa”, afirma Gabriel Cançado, CEO da empresa que planeja lançar R$ 500 milhões em novos projetos imobiliários.
O fenômeno não é exclusivo de São Paulo, com empresas como a BRZ Empreendimentos dobrando de tamanho nos últimos três anos. O setor segue aquecido, impulsionado pelo crédito subsidiado e pela necessidade de habitação em todo o país.
A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







